Aud_Fevereiro2017_Pag38

Grita liberdade

  Aqueles que se tornam heróis da liberdade estão, por regra, dentro do presídio. Lembremos exemplos recentes: Gandhi, Mandela… Os seus feitos impressionantes foram movidos por uma aspiração de libertação individual, que depois estenderam aos membros das suas comunidades. Há, igualmente, outros heróis que, não estando acorrentados, se põem ao lado dos presos para os…

aud_janeiro2017_pag38

Antes da inundação

  O que diríamos de alguém que entrasse em nossa casa, pusesse os pés em cima da mesa, se servisse sem regra do que está no frigorífico e na despensa, sujasse o chão, fizesse barulho, sem se preocupar em pôr tudo como estava antes? Certamente não diríamos coisas boas nem desejaríamos que essa pessoa regressasse…

aud_novembro2016_pag38

Filhos do Paraíso

  O paradoxo só deixa de o ser quando percebemos que, apesar da aparente estranheza, as coisas nem poderiam ser de outro modo. É esta a sensação experimentada quando ouvimos declarar que a pobreza encerra uma grande vantagem. Dir-se-ia que só um rico poderia fazer semelhante observação. Mas a verdade não passa por aí: em…

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Aashpordha (Audácia)

Quando somos jovens, em especial na fase da adolescência, adquirimos ou manifestamos certas qualidades que, se, por um lado, incomodam quem lida connosco, por outro, deveríamos manter, na medida certa, toda a vida: Coragem: no sentido de que lidamos bem com o risco, com a hipótese de as coisas correrem mal. Isso nem sempre é…

aud_outubro2016_pag38

A baía da vergonha

Esta é, porventura, uma das mais conhecidas frases de Rousseau: «O homem nasceu livre, mas por toda a parte vive acorrentado.» O filósofo suíço utiliza a palavra «acorrentado» num sentido complexo. Todavia, o importante é pensarmos: se o ser humano cria cativeiros para si, o que fará às outras espécies? Nós temos com a Natureza,…

Aud_Julho2016_Pag38

Selma e as palavras

  O dom da palavra consiste na capacidade de expressar oralmente com eficácia uma ideia. Quando a ideia é política, revolucionária, humanitária, o público que ouve poderá sentir-se animado, persuadido, mobilizado; poderá, quem sabe, escrever uma página da História. Todavia, devemos ter presente que as palavras são um impulso, mas não bastam. Há outra força…

Aud_Junho2016_Pag38

E se fosse contigo?

  Aquele que discrimina outra pessoa deita mão de um raciocínio muito peculiar. Pensa assim: aquela pessoa apresenta uma característica que eu não tenho; é melhor não ter do que ter a dita característica; consequentemente, sou superior a essa pessoa; logo, tenho legitimidade para apoucá-la. Deste pensamento, parte-se para os comentários desagradáveis, para a discriminação…

Aud_Maio2016_Pag38

A que horas ela volta?

Maio é o mês da mãe. O filme «Que horas ela volta?» é um dos melhores que vi nos últimos anos; não poderia vir mais a propósito. Val é a protagonista. A sua condição não lhe permitia – cria ela – outro remédio que não fosse zarpar. De um lado, a pobreza; de outro, um…

Corações divididos

Quando decidimos aceitar a realização de uma tarefa complicada e de grandes dimensões, devemos ter por certo que o êxito nos custará tempo, muito tempo. Ora, o tempo é um bem tremendamente precioso, talvez o mais precioso de todos. Uma vez que nem sempre é possível fazer várias coisas em simultâneo, o mais provável é…

Aud_Março2016_Pag38

Mediterrânea

  Certo dia, comentava um emigrante luso em terras gaulesas que, quando estava em França, se sentia português, e, quando estava em Portugal, se sentia francês. O paradoxo é apenas aparente. Reparando bem, nada tem de ilógico aquele sentimento: durante a maior parte do ano, é um imigrante, um estrangeiro, com língua, cultura e costumes…