Viagem ao temp(l)o de Jerusalém

Julho-Agosto 2014 / Bíblia-app

Cristina, Filipe, Inês e Joel foram, juntamente com os pais, a catequista Matilde e um grupo de pessoas da paróquia, numa peregrinação que os Missionários Combonianos organizaram à Terra Santa.

Chegou o grande dia. Já em tempo de férias, e depois de muitas renúncias ao longo de todo o ano para pagar a viagem, estavam superentusiasmados por irem conhecer os lugares onde Jesus andou e que serviram de palco a muitas histórias que já tinham ouvido contar.
Um desses sítios era o Templo de Jerusalém. Ali, o guia indicou o ponto onde se encontravam as mesas que os vendilhões do Templo usavam para fazer o seu comércio de pombas para os sacrifícios, de troca de dinheiro (câmbios) e outros, e que Jesus tinha expulsado.
O padre comboniano que estava a coordenar as atividades, depois de obter a permissão dos presentes, leu o trecho do Evangelho que relata esta história:
– «Tendo feito um chicote de cordas, expulsou (Jesus) aquela gente do Templo, lançou ao chão o dinheiro dos cambistas, derrubou as mesas e disse-lhes: “Tirem isso daqui, não façam da casa do meu Pai uma casa de comércio”» (Jo 2, 15-16).
O sacerdote prosseguiu:
– Porque teria Jesus agido assim? Então os pobres vendedores não podiam estar a ganhar a vida?
Fez-se silêncio. Os peregrinos não sabiam o que pensar nem dizer.
Ele continuou:
– O trabalho é uma coisa boa, mas foi mal valorizado. A questão é que aquilo que poderia parecer um direito, uma oportunidade, era na verdade um fator de discórdia, de inveja, de privação da liberdade, porque aqueles homens tornaram-se escravos do dinheiro. Estavam a profanar um local sagrado, já que tinham desistido do bem e perdido a alegria. Tão perto e tão longe de Deus, poder-se-ia dizer…
Cristina, com a habitual vivacidade estampada nos grandes olhos azuis, vira-se para Matilde e pergunta:
– Mas usar um chicote não é muito violento? Jesus não pecou e a violência é pecado…
Joel, imbuído do seu espírito observador, rebateu:
– Pois, só que Jesus não deve ter batido em ninguém com o chicote; limitou-se a derrubar o que estava nas mesas. Não era nada contra as pessoas, mas contra o que estavam a fazer.
Ao que Inês, ponderando tudo o que escutara, acrescentou:
– Se calhar, não havia outra forma de acabar com aquilo… Eles fizeram do Templo uma espécie de centro comercial. Se Jesus não tivesse feito nada, era o mesmo que dizer que concordava com o negócio!
Transparecendo algum medo, Filipe atentou:
– Mas é preciso ter muita coragem… E se eles se tivessem virado contra Jesus?
Matilde gostou muito das reflexões dos seus pupilos e adiantou que, mesmo não tendo os tablets para aceder à Bíblia_app, as respostas podiam ser obtidas diretamente ali, onde tudo se tinha passado. Era como se os lugares falassem por si. Convidou-os a sentar-se no chão e, já em roda, esclareceu:
– Nem tudo se resolve com pomadas e pensos rápidos. Se eu tiver um tumor, não vou pôr-lhe um penso rápido; tenho é de fazer uma cirurgia para o remover! Em contrapartida, se fizer uma pequena ferida, não vou ser operada; ponho uma pomada desinfetante e um penso rápido. Jesus bem sabia o que era mais apropriado para aquela circunstância.
Sempre curiosa, Cristina perguntou:
– E como é que sabemos quando utilizar o penso rápido ou a intervenção cirúrgica?
Matilde explicou:
– O próprio Jesus vai-nos ajudando a discernir, no nosso coração e através dos outros. Até porque precisamos de saber o que aplicar para este mundo ser o que deve ser… Há situações que se solucionam com uma denúncia; outras porém, requerem medidas mais enérgicas. A opção de Jesus foi ajustada à situação que se Lhe apresentava. A violência aqui não está no gesto de Jesus, mas na própria situação instalada. O remédio tinha de ser forte! Não acham?
– Sim – responde Joel. – Senão, Jesus estaria a permitir que a religião se convertesse num comércio…
– E já nada se fazia gratuitamente, só por amor… – acrescenta Inês.
– Até a oração pode ser um negócio – conclui Matilde. – Rezo estes pais-nossos e ave-marias para me acontecer determinada coisa, por exemplo… Até as coisas boas podem ser mal usadas!
– Não adianta dizer que isto ou aquilo não devia ser assim, se depois não fazemos nada para mudar isso! – remata Filipe.

Por: Maria Mendonça

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