Uma Expo no Cazaquistão

Julho-Agosto 2017 / Ciência

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Encravado entre a Rússia, a China e uma série de pequenos Estados que um dia já fizeram parte do Império Soviético, o Cazaquistão é este ano o palco de um acontecimento que vai de certeza pôr toda a gente a falar daquele país.

 

No dia 10 de junho passado, Astana, capital do Cazaquistão, abriu as portas da Expo 2017. Mesmo que até agora o Cazaquistão não fizesse parte dos roteiros turísticos, tudo indica que, até 10 de setembro próximo, muita gente se decida a viajar até lá – portugueses incluídos, mesmo se o nosso país não estará presente com nenhum pavilhão. Mas 101 Estados fazem-se representar. E, afinal, uma expo – forma abreviada de dizer exposição universal – é uma oportunidade única de encontro de artes, culturas e povos, e também de mostra das maiores novidades tecnológicas de um determinado tempo.

 

As expos deixam boas impressões

Um dos casos mais emblemáticos da modernidade que as exposições internacionais significam foi a de Paris, em 1889. Para celebrar o centenário da  Revolução Francesa, a França esmerou-se na montagem dessa feira mundial com a qual queria festejar também, à beira do século xx, as tecnologias emergentes que estavam a mudar o rosto dos países ocidentais. A organização encomendou então ao arquiteto e engenheiro civil Gustave Eiffel a sua hoje famosa torre, e ícone da Cidade da Luz.

Por cá, a Expo 98 também foi para Lisboa sinónimo de entrada numa certa modernidade, pelo menos a do cosmopolitismo urbano: a Expo mudou o rosto da capital portuguesa. Antes um amontoado de barracões e armazéns portuários obsoletos, toda a zona oriental na frente ribeirinha renasceu e ganhou nova vida, que subsiste hoje como Parque das Nações. Em Astana não deverá ser diferente.

 

Tecnologias sustentáveis em foco

Habitualmente fora do circuito dos noticiários, pouco se ouve falar do Cazaquistão, a não ser quando a Rússia lança os seus foguetões Proton, para pôr satélites em órbita ou para enviar as naves Soyuz com novas tripulações, para a estação espacial internacional ISS.

Com a Expo 2017, o Cazaquistão vai pôr todo o mundo a falar das tecnologias sustentáveis do presente e do futuro, nomeadamente com novas propostas nas energias limpas não emissoras de dióxido de carbono, e essenciais para combater as alterações climáticas.

«A energia do futuro» é o tema da Expo 2017. Dizem os organizadores que a «energia é o elemento central da economia global e têm de se divulgar soluções para enfrentar o maior desafio da humanidade». Neste cenário, cada país e cada empresa vai apresentar em Astana o último grito das novas e mais eficientes tecnologias de energias não emissoras de partículas de carbono em desenvolvimento. Como dizem os organizadores, «as pessoas vão ficar surpreendidas».

 

Algumas curiosidades

As exposições internacionais são futuristas. Os seus pavilhões são como laboratórios de experimentação tecnológica, de novas formas de construir e de novos materiais. E tudo em função do tema escolhido.

Em 166 anos, houve 68 exposições – umas mundiais, outras internacionais e outras especializadas. Foram realizadas em quatro continentes (só não houve em África). Já estão programadas as próximas, para Pequim, em 2019, e Dubai, em 2020.

O organismo que gere as Expo é o Bureau International des Expositions (BIE) – em português: Oficina Internacional de Exposições. Consulta o sítio: www.bie-paris.org.

As Expo duram entre três a seis meses.

Por: Maria Filomena Silva

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