Uma árvore por cada novo aluno

Fevereiro 2016 / Ciência

A ideia não é exatamente nova: há alguns anos que, em vários países – incluindo Portugal – associações ambientalistas e alunos de escolas básicas e secundárias plantam árvores de espécies autóctones.

Não estava especialmente frio nesse dia 9 de dezembro, no sul de Inglaterra, na região de Bournemouth – o último mês do ano de 2015 foi, aliás, bastante ameno na Europa, com temperaturas acima da média para a época. Talvez isso não seja muito bom sinal do que se está a passar com o clima da Terra, mas para os professores e alunos da Arts University Bournemouth, a AUB, aquele foi o tempo perfeito para o que eles se propuseram fazer nesse dia: plantar mil novas árvores num terreno comunitário da região. Mil árvores – uma por cada um dos novos alunos que entraram neste último ano letivo naquela universidade inglesa.

Além de ser uma ideia com uma forte carga simbólica, até para memória futura de cada um destes novos alunos, que vão ter a sua árvore a crescer naquela paisagem de colinas suaves, há um objetivo concreto na iniciativa, que é o de diminuir a pegada ecológica dos novos estudantes, o que a, prazo, vai contribuir para diminuir as emissões de gases com efeito de estufa e purificar o ar.

Este foi já o segundo ano consecutivo em que a Arts University Bournemouth realizou uma plantação de árvores no início do ano letivo e, como explicou Oscar Woodruff, o presidente da associação de estudantes, que se associou de bom grado à ação, «plantar uma árvore para cada novo aluno é uma tradição fantástica e uma forma criativa de neutralizar as pegadas de carbono deles».

Segundo Oscar, este é um «compromisso da associação de estudantes e da universidade para ter um impacto positivo na comunidade, ao mesmo tempo que se consciencializa mais a população escolar para as questões do ambiente e da sustentabilidade».

Para o ano há mais mil árvores

O impacto no ambiente é algo muito concreto. Com as mil árvores plantadas em dezembro em Bournemouth, os professores e alunos da universidade já somam, em dois anos, duas mil novas árvores, e não vão ficar por aqui. Eles querem continuar até, pelo menos, às três mil. Ou seja, uma nova floresta vai crescer na região e tornar-se capaz de absorver quantidades crescentes de dióxido de carbono da atmosfera, dessa forma compensando uma parte das emissões causadas por transportes ou produção energética locais. Na prática, é um investimento num futuro mais limpo e mais sustentável.

A ideia não é exatamente nova. Outros grupos de alunos em escolas e universidades de muitos outros países, como a França, Estados Unidos, Austrália, ou Portugal têm desenvolvido ações idênticas. Por cá, isso já acontece, aliás, há décadas, em ações que juntam associações ambientalistas e alunos de escolas básicas e secundárias para plantação de árvores de espécies autóctones, como os carvalhos, azevinhos, freixos ou medronheiros em várias regiões do País.

Como diz um velho ditado chinês, a melhor altura para plantar uma árvore de fruto… foi há vinte anos, e a segunda melhor altura é agora. Estamos, portanto, muito a tempo. Em Bournemouth, Inglaterra, mas em Portugal também, daqui a vinte anos, não vão faltar os frutos.

Por: Maria Filomena Silva

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