Trilhos da felicidade fazem-se sobre rodas

Dezembro 2016 / Campeões

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Solidariedade e tecnologia propiciam o desporto a pessoas com mobilidade reduzida.

 

Cada vez mais as limitações físicas deixam de ser desculpa para não se praticar desporto e retirar os benefícios desta atividade, ao nível da saúde corporal, mental e social. Ainda na edição de novembro da Audácia, referimos as proezas do antigo piloto da Fórmula 1 Alessandro Zanardi, agora bicampeão paraolímpico de ciclismo, pedalando com os braços num triciclo desenvolvido para permitir paraplégicos e amputados dos membros inferiores serem ciclistas, ainda que de uma forma especial. Tal como os invisuais que, podendo pedalar com as pernas, precisam, no entanto, de levar um condutor para os guiar e, por isso, levam este à pendura, num tandem acoplado à bicicleta.

 

É comum ver praticantes de desporto adaptado utilizarem cadeiras de rodas. Quase sempre com uma inclinação nas rodas maiores, para garantir mais estabilidade, estas cadeiras permitem que atletas paraplégicos, amputados ou com outras limitações graves na capacidade de locomoção consigam praticar modalidades como a esgrima, o tiro com arco ou o boxe mas, também, outras muito mais exigentes quanto a movimentação como o atletismo, o golfe, o boccia, o basquetebol, o ténis de mesa, o ténis ou (acreditem) o râguebi.

E as cadeiras móveis não servem apenas para modalidades de pavilhão ou pista nem apenas para competição. No último verão, por exemplo, assistimos à divulgação nas praias portuguesas de cadeiras adaptadas que permitem até tetraplégicos tomarem revigorantes banhos de mar. As rodas largas destas cadeiras anfíbias facilitam que pessoas com mobilidade reduzida se desloquem na praia e, aproveitando o ar das próprias rodas e dos outros flutuadores (e com o devido apoio), consigam entrar e permanecer de forma segura em águas calmas.

 

Também são vulgares embarcações adaptadas de remo e vela, utilizadas por atletas que, apesar das limitações, não dispensam a proximidade das águas de lagos ou mares.

Mais recentes são as novidades para frequentar os ares da serra mesmo sem se ter condições para andar por trilhos difíceis. É o caso da joelette, monociclo capaz de ir a todo o lado carregando alguém que só assim, puxado e empurrado por atletas de montanha, consegue deslocar-se aos locais agrestes agora conhecidos por Trilhos da Felicidade.

A designação deriva do nome do inventor, Joël Claudel, que jura desconhecer o monociclo semelhante que os Padres Brancos utilizam há décadas em África.

Numa parceria com a Associação Mobilitas, foi desta forma que atletas de trail de Caminha se prepararam para o campeonato do mundo no Parque Nacional da Peneda-Gerês, a 29 de outubro, e, simultaneamente, proporcionaram experiências maravilhosas de contacto com a Natureza a pessoas com mobilidade reduzida. Que bela fórmula: Desporto + Solidariedade = Felicidade.

Por: Luís Óscar

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