Três “Talentos Verdes”

Julho-Agosto 2015 / Ciência

São todos jovens investigadores em universidades, todos estão a tentar desenvolver formas de diminuir os custos que as atividades humanas têm na saúde do planeta e, por causa disso, estiveram entre os 24 vencedores dos Green Talents 2014, um fórum organizado todos os anos na Alemanha. O deste ano vai ser em outubro.

A ideia desta iniciativa, que se dirige a jovens de todo o mundo, é promover o encontro entre os participantes numa feira de ciência, onde cada um pode apresentar as suas propostas para melhorar o mundo. E, no fim, claro, as melhores ideias são premiadas e os autores ganham a oportunidade de fazer estágios e desenvolver parte do trabalho em instituições de investigação alemãs.

Projetos que se destacam

Quais foram então as ideias brilhantes destes três jovens talentos verdes?

Maksymilian Kochanski, que ainda estava a finalizar no ano passado a licenciatura em Engenharia e Energia Sustentável, na Universidade de Varsóvia, na Polónia, apresentou um projeto para reduzir o gasto energético dos edifícios, baseado num estudo computacional que ele desenvolveu, a par dos seus estudos. E querem saber o mais engraçado? Ele utilizou algumas estratégias muito usadas em jogos de computador para chegar ao objetivo. O júri ficou bastante impressionado, não só com a originalidade da sua abordagem, mas também com os seus resultados, entre os quais a possibilidade de calcular de forma integrada e mais rápida os custos energéticos de um edifício.

Já a jovem malgaxe Lovanomenjanahary Marline, ou Lova, como ela se apresenta para facilitar a vida aos outros, é botânica. E, sendo natural de um país que é um paraíso da biodiversidade, mas onde as ameaças ambientais estão a pôr muitas espécies em risco, Lova decidiu que devia dar o seu contributo para o conhecimento e a preservação da Natureza de Madagáscar. Então, decidiu estudar de forma sistemática os musgos – os botânicos chamam-lhes briófitos – e avaliar os riscos a que estão submetidos num mundo em rápida mudança. Na prática, conseguiu estabelecer uma série de parâmetros que lhe permitem olhar para os musgos como bioindicadores do estado de saúde do ecossistema, e que pode ser agora utilizado por outros cientistas noutras zonas tropicais. O júri gostou muito da porta que ela abriu para esse estudo.

Tatiana Pereira da Silva, especialista em direito do ambiente e políticas públicas, que desenvolveu o seu projeto na Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde está a fazer o doutoramento, lançou-se ao problema do lixo, que no Brasil tem contornos complexos: a produção de resíduos sólidos domésticos não para de crescer, enquanto a capacidade de reciclagem, a nível nacional é pouco mais de quatro por cento, a que apenas catorze por cento da população tem acesso. Pois a Tatiana concebeu uma estratégia para aumentar a taxa de reciclagem, ao mesmo tempo integrando o meio milhão de pessoas que no seu país vivem de apanhar e entregar o lixo em centros de recolha. O júri ficou fascinado com a integração entre a redução de resíduos e o progresso social que ela conseguiu na sua proposta.

Por: Maria Filomena Silva

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