Terror no Sudão do Sul

Junho 2014 / Crianças em missão

Meses depois da independência (celebrada a 9 de julho de 2011), a guerra voltou, mais trágica ainda, ao Sudão do Sul. Um conflito tribal desabou sobre esta jovem nação e provocou já milhares de mortos e cerca de um milhão de refugiados. A Irmã Elena Balatti, missionária comboniana natural de Itália, estava em Malakal. Agora é uma cidade fantasma. Até os animais parecem ter fugido. Por vezes, escuta-se o ruído apressado de carros que transportam homens armados. Ainda há tão pouco tempo, parecia uma cidade normal, cheia de pessoas, com mais de 250 mil habitantes.

Guerra que não poupa ninguém

Em Malakal, há muitos vestígios da violência: paredes esburacadas por balas, ruínas incendiadas, corpos que ninguém reclamou… nem hospitais, locais de culto ou, até, bases da ONU escaparam. «Houve pessoas mortas nas igrejas», conta a missionária italiana.

Na base desta guerra civil que envolve forças governamentais do presidente Salva Kiir e partidários do seu ex-vice-presidente Riek Machar, destituído em 2013, está um conflito tribal entre as etnias Nuer e Dinca. Foram elementos afetos à etnia Nuer, do ex-vice-presidente, que atacaram a cidade de Malakal. Os homens são mortos. As mulheres e as raparigas são vítimas de abuso. No último dia, antes de apanhar o avião que a transportou para Juba, a capital, onde vive agora, a Irmã Elena levou uma menina de 12 anos até ao hospital da Cruz Vermelha. Tinha sido violada, e como ela outras nove crianças.

Fugir para voltar

A decisão de abandonar a cidade de Malakal foi dolorosa para as missionárias combonianas. «Éramos três irmãs. Depois de a nossa casa também ter sido saqueada, já não tínhamos onde morar. Ficámos ao lado dos padres locais, mas agora que todos fugiram, já não havia razões para permanecermos numa cidade deserta», diz a Irmã Elena, que deixou lá o seu coração. Ela quer regressar. Para isso, é preciso que o cessar-fogo já assinado entre rebeldes e forças governamentais não seja apenas um papel com intenções mas sem valor. É que continuam os ataques, as mortes, a violência…

«Quero voltar, juntamente com as minhas irmãs combonianas, para continuarmos o nosso trabalho», diz a Irmã Elena, acrescentando um pedido de orações. A Igreja, presente em todo o mundo, tem um papel essencial a desempenhar para que cessem os dias de terror e as feridas sejam saradas. É preciso orar, apelar para os políticos e ser solidários. E nós em Portugal, vamos ajudá-la.

 

Sudão do Sul

É o país mais novo do mundo. Ganhou a independência em 2011, depois de meio século de luta contra o Norte, maioritariamente árabe e muçulmano. No Sul predomina a religião cristã. Foi um conflito sangrento, que causou mais de três milhões de mortos. O país tem 10 milhões de habitantes. Agora, voltou a guerra, ainda mais violenta e incompreensível.

 

Por: Paulo Aido

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