Terra das mulheres

Abril 2018 / Ciência

 

Estrela Matilde e Cristiana Costa são duas jovens portuguesas – Estrela tem 32 anos e Cristiana tem 23 – que estão a ajudar a mudar o mundo. Para melhor, claro.

 

O que inspira Estrela e Cristiana é muito simples: não é por não se poder fazer tudo que vamos deixar de fazer alguma coisa. Elas deitaram mãos à obra, cada uma à sua maneira, e os resultados foram de tal forma importantes na vida das suas comunidades, que são as vencedoras, este ano, do Terre des Femmes Portugal, um prémio que distingue mulheres a trabalhar pela sustentabilidade ambiental e pelo bem-estar das comunidades humanas.

 

Vidro torna-se joia em S. Tomé

Estrela vive na ilha do Príncipe, em São Tomé, há cinco anos, e foi lá que montou um projeto para transformar em joias de cores vibrantes o vidro das garrafas que usualmente vão para o lixo. Com isso, conseguiu várias coisas de uma só vez: lançou a reciclagem do vidro na comunidade e iniciou uma nova forma de artesanato na ilha que é, simultaneamente, uma atividade económica que mudou a vida a um conjunto de doze famílias da localidade de Porto Real, na pequena ilha santomense.

Responsável pelo projeto Cooperativa de Valorização de Resíduos (CVR), Estrela conta que foi um grupo de mulheres de Porto Real que a procurou, há pouco mais de um ano, na Fundação Príncipe Trust, a ONG onde ela trabalha, na área da conservação e de projetos sociais. «Elas pretendiam criar um negócio para apoiar as mulheres desempregadas daquela comunidade, mas queriam ao mesmo tempo fazer alguma coisa que fosse boa para a biosfera e para ilha», conta a jovem portuguesa.

Por coincidência, Estrela estivera pouco antes noutro país africano, o Gana, onde viu um projeto de criação de joias com vidro reciclado e pensou que aquela era uma ideia fácil de reproduzir em Porto Real com as mulheres, com toda a mais-valia económica que isso podia trazer. Mas não se ficou por aí. «Apercebemo-nos também de que havia falta de composto para os agricultores aqui na ilha e achámos que fazia sentido fazer essas duas coisas», explica. As duas coisas foram para a frente e acabaram por transformar o modo de vida daquelas famílias.

«Consigo ver nos olhos delas o quanto isso faz a diferença, porque conseguimos garantir que no final do mês cada uma destas mulheres leva um ordenado para casa, é um orgulho muito grande», diz Estrela. E o prémio – dez mil euros que vão direitinhos para o projeto – chega em boa altura. Vai servir para adquirir um carro que resolve algumas necessidades e dará uma nova mobilidade ao projeto.

 

roupa feita de desperdícios

Cristiana Costa, natural de Lisboa e desenhadora de moda, mudou-se para a Covilhã para pôr em prática uma ideia de reaproveitamento dos desperdícios da indústria da lã na região, para apostar na sua própria roupa sustentável. Com os resíduos da fibra, reinventou tecidos, imaginou cortes e peças de gosto urbano e sobretudo criou uma linha de roupa sustentável e uma marca: a Naz. É original, e o planeta agradece.

Por: Maria Filomena Silva

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