Temos tantos seminaristas

Fevereiro 2016 / Invencíveis

Nasci em Outeiro, Viana do Castelo. No dia em que celebrei 41 anos de padre, estava, para minha felicidade, em Kisangani, na República Democrática do Congo. Voltei a este país de África a que já dediquei dezoito anos de vida missionária.

Depois de vários dias de viagem, cheguei finalmente ao meu destino: o seminário Maison Comboni, em Kisangani. Recebi a missão de voltar a ser formador dos jovens congoleses que se preparam para ser missionários combonianos. Este seminário tem o nome postulantado, porque, após três anos de formação, os seminaristas fazem um pedido (postulam) para fazerem a primeira experiência a sério do que é a vida dos Combonianos.

Durante o tempo da viagem, participei na ordenação sacerdotal de um jovem congolês, e no funeral de outro missionário comboniano. Foram momentos muito intensos, sobretudo os quatro dias que precederam o funeral do P.e Sérgio, natural de Itália, que trabalhou durante quarenta anos aqui na R. D. Congo. Houve vigílias de oração e, na noite antes do funeral, os vários grupos paroquiais – cenáculos de oração missionária, escuteiros, renovamento carismático, Legião de Maria, agentes pastorais, comunidades religiosas – animaram a grande vigília de oração durante toda a noite, seja com a oração do terço, seja com leituras bíblicas intercaladas com cânticos.

Pobres materialmente, ricos em pessoas

Volto a Kisangani, onde já trabalhei na formação dos postulantes combonianos. Durante os nove anos que estive ausente – para ser missionário em Portugal, primeiro em Viseu e, depois, em Famalicão –, muitas coisas mudaram. Kisangani é uma cidade em grande expansão, já não há a guerra, já não se ouvem tiros de canhão, as bicicletas táxis (toleka) deixaram quase de existir, para dar lugar aos mototáxis. As ruas principais são inundadas por pessoas, sobretudo jovens e crianças.

Quanto à igreja, verifica-se que há vida e juventude. As pessoas não estão a olhar para o relógio para ver quando a missa termina. As celebrações dominicais podem ir de duas a três horas. Quando há celebrações especiais – como as das ordenações –, podem decorrer ao longo de cinco horas.

As pessoas, contudo, debatem-se com muitas dificuldades, procurando cada dia fazer o milagre da multiplicação dos pães. Esta é a situação dos jovens postulantes: eles vêm de várias partes do Congo, de famílias cristãs com grandes carências. Contudo, eles são a nossa riqueza: o seminário tem capacidade para acolher 20 postulantes, mas, atualmente encontram-se aqui 33. Enquanto em Portugal os seminários estão vazios, aqui temos dificuldade para acolher tantos seminaristas. O nosso desafio e carência é garantir um espaço com o mínimo de condições para os hospedar e meios para os sustentar.

Por: José Arieira

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