Suportar as fraquezas do próximo

Março 2017 / Valores de sempre

 

Num mundo que pretende apresentar-se como perfeito, é cada vez mais frequente existirem dificuldades de relacionamento e aceitação das fraquezas dos irmãos.  Não é por acaso que o Novo Testamento da Bíblia nos exorta, com frequência, a termos paciência e a suportarmos os outros: «Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente se alguém tiver razão de queixa contra outro» (Carta aos Colossenses 3, 13). O desafio desta obra espiritual é suportar, com mansidão, os que estão próximos de nós, com todas as suas limitações, fraquezas, defeitos, adversidades e misérias.

 

Suportar a fraqueza

Esta obra de misericórdia diz respeito a todo o tipo de fraqueza humana: complexos, vícios, defeitos de carácter, por exemplo. Cada um de nós tem as suas fraquezas, dificuldades, limites e imperfeições. Alguns destes limites podem ser superados rapidamente, mas, outros, não. E nem todas as pessoas conseguem lidar com a fraqueza da mesma forma: algumas são mais lentas e outras possuem limites que não podem ser facilmente superados e suportados.

A palavra «suportar» parece indicar (negativamente) um peso quando temos de pôr em prática esta obra de misericórdia. Porém, lembremo-nos que o que deve ser suportado é a fraqueza do próximo e não a pessoa. Não é nada fácil, especialmente no mundo em que vivemos, entender que a fraqueza do outro não deve ser considerada um peso, um obstáculo, mas uma oportunidade para a fraternidade. Quem de nós não se sentiu incomodado pela debilidade e fraqueza de alguém?

A nossa natureza é limitada, mas pode refletir a força de Deus. Face às fraquezas dos outros, cada um de nós é chamado a supri-las com as nossas aptidões e qualidades, e, claro, a superar-se com a ajuda dos outros.

 

Com paciência e mansidão…

A Bíblia fala de Deus como «lento para a ira», para indicar a sua imensa paciência e mansidão. A paciência e mansidão são o olhar generoso de Deus fixo em nós, olhar que não se detém nos pormenores, mas que se foca no essencial, no grande amor que Ele tem por cada um de nós.

Paciência e mansidão, ao contrário do que se possa pensar, não são passividade, mas ações gratuitas e amorosas destinadas a que ninguém se perca.

Paciência e mansidão são frutos do Espírito Santo. A paciência exige o cultivo de algumas qualidades como a calma, a serenidade e, sobretudo, o reconhecimento do direito do outro ter o seu tempo.

A mansidão é uma obra ativa, inteligente e corajosa, que recusa responder ao mal com o mal.

Hoje, porém, a paciência perdeu grande parte do seu fascínio: os tempos acelerados suscitam a impaciência, o não adiamento, o «já» que não dá lugar à espera.

E a falta de mansidão torna-se falta de vontade de espera e de compreensão do outro que, com demasiada rapidez, corre o risco de se tornar incómodo ou aborrecido, um verdadeiro empecilho.

Praticar a paciência e a mansidão nesta obra de misericórdia é confirmar a nossa confiança nos outros e trabalhar a seu lado e em seu favor contra a tentação do desespero. Então, suportar é também ser suporte: uma pessoa paciente e de mansidão ajuda os outros a carregar os pesos que a própria vida lhes impõe. Foi isso que Jesus Cristo fez por nós.

 

Faz o download da Ficha Suportar as Fraquezas do Próximo

 

Assiste ao vídeo

 

Por: Abel Dias

Deixe uma resposta