Superatletas e supermamãs

Março 2018 / Campeões

 

A maior parte dos nossos leitores ainda não tinha nascido quando Serena Williams chegou pela primeira vez ao ranking mundial do ténis. Por isso, só desde o final de janeiro podem consultar a publicação semanal da lista das melhores jogadoras sem encontrar o nome da estrela dos EUA, o que não acontecia há mais de vinte anos.

Aos 36 anos, Serena Williams deixou de ter qualidades para figurar entre as mais de 1100 melhores do mundo? Não propriamente. O que aconteceu foi uma retirada voluntária, depois de triunfar no Open da Austrália do ano passado e anunciar estar grávida, numa altura em que encabeçava o ranking, à semelhança de outras 318 semanas desde 8 de julho de 2002.

Mas não se pense que a ausência das quadras (o local onde se joga ténis) é vista por Serena como um castigo. Numa entrevista à revista Vogue, admitiu que «muita angústia desapareceu quando Olympia nasceu», a 1 de setembro. Serena, que apenas não se sentiu em forma para defender o título na Austrália, já voltou a jogar, no final de dezembro, com atitude e sentimento diferentes: «Sabendo que tenho um lindo bebé em casa, sinto como se não tivesse de jogar outra partida. Não preciso do dinheiro, dos títulos ou do prestígio. Quero-os, mas não preciso deles.»

Na verdade, a maternidade muda a forma como as mulheres (incluindo, naturalmente, as desportistas) encaram a vida. Com a chegada de cada vez mais mulheres ao desporto de alta competição, aumentou o número de mães, muitas bem-sucedidas. Ao contrário do que sugerem os preconceitos, estudos evidenciam que a maternidade pode tornar as mulheres mais perspicazes, aumentar a inteligência e sensibilidade emocional, ajudando a solucionar problemas em geral e no desporto, sem esquecer o tempo de paragem, que pode durar um ano.

 

São inúmeras as mulheres que foram mães durante a carreira desportiva. Por exemplo, Lindsay Davenport, outra tenista dos EUA que foi n.º 1 mundial, ganhou dois torneios depois de ter sido mãe, aos 30 anos. E a nadadora Dara Torres, também dos EUA, ganhou três medalhas de prata em Pequim 2008, aos 41 anos, depois de ter sido mãe aos 38, batendo recordes, incluindo o de ter sido a única nadadora presente em cinco Jogos Olímpicos (entre 1984 e 2008, falhando 1996 e 2004), acumulando 12 medalhas (quatro de ouro).

Inesquecíveis são, igualmente, as imagens da inglesa Paula Radcliffe a festejar o triunfo na Maratona de Nova Iorque de 2007 com a filha Isla, bebé, ao colo. No ano seguinte, repetiu o êxito. Campeã do mundo em 2005 (e tricampeã da meia-maratona, em Vilamoura 2003), Paula estabeleceu, em 2002, o recorde mundial que está em vigor.

Voltando a Serena Williams, embora não seja novata, é provável que ainda a vejamos enriquecer um dos mais extensos currículos do ténis. Garantida é a satisfação imensa dela, por ser mãe.

Por: Luís Óscar

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