Suas Santidades Papa Sorriso e Papa Misericórdia

Abril 2014 / Destaque

A santidade dos papas João XXIII e João Paulo II será confirmada pelo Papa Francisco no dia 27 deste mês. A canonização é a validação de que são dignos de culto universal e de ser apresentados como modelos de santidade e intercessores.

Na viagem de regresso ao Vaticano, depois das Jornadas Mundiais da Juventude no Brasil, o Papa Francisco disse que juntar no mesmo dia a canonização dos papas João XXIII e João Paulo II «quer ser uma mensagem para a Igreja: estes dois são bons». A data escolhida – 27 de abril – coincide com o segundo domingo do tempo pascal, chamado Domingo da Divina Misericórdia por iniciativa de João Paulo II.

O Papa Sorriso

O Papa João XXIII nasceu a 25 de novembro de 1881, em Sotto il Monte, em Bérgamo, Itália. Nesse mesmo dia foi batizado e recebeu o nome Angelo Giuseppe Roncalli. Foi o quarto de 13 irmãos. Em 1958, no início do seu pontificado, depois de assumir o nome João XXIII, ele teve de posar para os fotógrafos, para que fizessem a fotografia oficial. Com o humor que sempre o caracterizou, gracejou com a sua obesidade: «Deus nosso Senhor sabia muito bem desde há setenta e sete anos que eu havia de ser papa. Não podia ter-me feito mais fotogénico?»

Giuseppe Roncalli escreveu um diário desde que ingressou no seminário. Os textos estão reunidos no livro Diário da Alma.

Depois da ordenação sacerdotal, em agosto de 1904, empenhou-se em muitas iniciativas: na redacção do boletim diocesano, nas obras sociais, foi professor, foi assistente da Acção Católica Feminina e era muito solicitado como pregador, pela sua eloquência profunda e eficaz. Em 1915, quando a Itália entrou na I Guerra Mundial, apresentou-se como sargento paramédico e capelão militar dos soldados feridos. Quando a guerra terminou, criou a Casa do Estudante e trabalhou com os jovens. Ele possuía uma grande paixão missionária. Percorreu muitas dioceses da Itália, organizando círculos missionários.

Em 1925, foi ordenado bispo e, nos anos seguintes, foi missionário fora do seu país: na Bulgária, Turquia e Grécia. O bispo Roncalli trabalhou intensamente ao serviço dos católicos, mas destacou-se igualmente pela sua maneira de dialogar e pelo trato respeitoso com os cristãos ortodoxos, com os judeus e com os muçulmanos. Estava na Grécia quando irrompeu a II Guerra Mundial. Enviado como embaixador do Vaticano para a capital da França, Paris, salvou muitos judeus, com a «permissão de trânsito» que a Delegação Apostólica concedia, como já havia feito na Grécia. Era sábio na maneira de fazer diplomacia e de grande caridade na ajuda humanitária. Revelava bons propósitos, apaziguava os ânimos e conquistava a simpatia e a adesão das pessoas.

Cardeal desde 1953, foi eleito papa em 1958 e sucedeu a Pio XII. O seu pontificado durou menos de cinco anos. Apresentou-se ao mundo como uma imagem de Bom Pastor. As suas características foram: afável e afetuoso, atento, empreendedor e corajoso, simples e cordial, homem de fé profunda e inabalável confiança em Deus. A paz foi um dos seus lemas de vida.

Marcou decisivamente a história da Igreja ao rever o código das suas leis, o Código de Direito Canónico, e, sobretudo, ao convocar o Concílio Ecuménico Vaticano II. Com ele iniciava a grande renovação na Igreja.

A sua pessoa é inseparável do nome que escolheu: João (que significa «Deus é bondoso»), como ele próprio afirmou: «João, nome doce, nome suave: um chamamento e convite a amar sempre, a amar todo o mundo, a amar em toda circunstância, mesmo quando a voz ou a pena tem o dever de condenar.»

O Papa Misericórdia

Karol Józef Wojtyla, no dia da sua eleição papal em outubro de 1978, escolheu como nome João Paulo II. Fê-lo, não tanto como sucessão do seu antecessor, mas, sobretudo, para continuar a honrar os dois papas anteriores: João XXIII e Paulo VI, como o havia feito João Paulo I.

Nasceu 58 anos antes, em Wadowice, na Polónia. Foi o segundo filho, mas, aos 21 anos, já estava só no mundo: primeiro faleceu a mãe (tinha ele 9 anos), três anos depois, o irmão, e, em 1941, o pai.

Na sua Polónia ocupada pelos nazis, teve de trabalhar numa mina e numa fábrica química para sobreviver, e de recorrer à clandestinidade, para exercitar a sua paixão pelo teatro e seguir a sua vocação ao sacerdócio.

Foi ordenado padre em 1946, bispo em 1958 e, como tal, participou no Concílio Vaticano II (de 1962 a 1965), cardeal em 1967 e eleito papa em 1978.

A sua primeira frase como Papa – «Não tenham medo. Escancarai as portas a Cristo» – classifica todo o seu pontificado. Foram 27 anos a estabelecer o diálogo de amor misericordioso entre Jesus Cristo e cada pessoa, apelando a uma vida de responsabilidade conforme a mensagem do Evangelho.

Por: Tiago Ferreira

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