Sou migrante e acolhes-me

Outubro 2014 / Crianças em missão

A Igreja torna-se oásis na migração infernal das crianças da América Central.

As Igrejas cristãs dos Estados Unidos estão muito preocupadas com os milhares de crianças da América Central que são imigrantes vulneráveis naquele país. Mais de 60 mil crianças e adolescentes da Guatemala, de El Salvador, das Honduras e do México cruzaram de forma arriscada a fronteira dos Estados Unidos da América, entre outubro de 2013 e setembro deste ano.

A situação é grave. Por um lado, porque o Governo americano se vê obrigado a alojá-las em locais como centros de refugiados e bases militares, em condições de sobrelotação e sem garantir alimentação adequada. Por outro, porque muitos destes menores vão sem documentos, em busca dos seus pais também indocumentados, ou fogem da violência e da miséria nos seus países. E, mais dramático ainda para bastantes deles, porque são vítimas de exploração infantil, crime ou imigração ilegal.

Todos os dias

As autoridades norte-americanas referem que, por dia, entram nos EUA perto de 400 menores não acompanhados pelos seus familiares. Os que são intercetados e capturados geralmente são detidos por 72 horas em centros como o de Brownsville (Estado do Texas) e Nogales (no Arizona).

Há crianças com menos de 7 anos, há adolescentes com filhos bebés de meses…

O destino da maioria das crianças sem qualquer documento de identificação é serem devolvidas à pátria de origem, isto é, são deportadas.

O problema agrava-se

Em 2011, havia aproximadamente sete mil menores centro-americanos não acompanhados que foram detidos nos Estados Unidos. Em 2012, esse número aumentou para 14 mil. Em 2013, elevou-se para 24 mil. Em 2014, calcula-se que chegarão a 90 mil. E, em 2015, estima-se que poderão ser 154 mil. Os dados foram avançados pelo senador Ted Cruz, do partido republicano, de origem cubana, que acusa o presidente Obama de permissividade. E exige medidas.

Uma das iniciativas a tomar diz respeito aos chamados «coiotes», ou passadores. Há os que difundem anúncios nos jornais a dizer «viagem segura para os Estados Unidos». Depois, pedem até 7000 dólares a cada pessoa, só para a levar até à fronteira do México com os Estados Unidos, sabendo que vão gastar uns 2500 dólares. Informam-se do paradeiro dos familiares do menor e dão-lhes instruções de como contactá-los. O mais usual é terem uma folha com os dados, de modo que, quando a polícia interceta as crianças, ela mesma contacta os familiares.

 

Igrejas são abrigos

A Igreja do Sagrado Coração, em McAllen, no Texas, a pouco mais de oito quilómetros da fronteira com o México, transformou-se no lar temporário de mais de 5000 mil menores imigrantes da América Central. Como esta paróquia, muitas outras nos Estados do Arizona, Novo México e Los Angeles oferecem comida, roupa, dinheiro para a viagem, atendimento médico e apoio espiritual.

Por: Fernando Félix

Deixe uma resposta