Somos o apoio do próximo que nos apoia

Fevereiro 2018 / Parábolas da vida

 

Costumo ir à missa à Clínica Psiquiátrica das Irmãs Hospitaleiras. Fica perto do local onde resido. Não é, contudo, esse o motivo que me convoca a falar dessa missa.

A Clínica Psiquiátrica de São José fica perto do Seminário da Luz, de modo que são os frades franciscanos a celebrar estas eucaristias. A igreja está aberta à comunidade e as irmãs hospitaleiras têm um pequeno café onde podemos estreitar laços e trocar palavras de carinho entre todos. Assim, no final de cada Eucaristia, conversamos e trocamos histórias.

Durante alguns destes saborosos cafés, fui construindo laços duradouros. Certo dia, falei nesta missa e do convívio que sempre se lhe segue a uma amiga italiana, a Hilária. De um modo especialmente gracioso, ela perguntou: «Tens a certeza de que é mesmo uma missa?» Soltámos uma gargalhada. Ambos sabíamos o carinho presente na pergunta. Verdadeiramente, mais do que uma missa, esta eucaristia e o que se lhe segue é celebração, partilha, comunhão, encontro.

 

Amigos que são apoio fundamental

Durante o meu percurso de vida, conheci e tornei-me amigo de várias pessoas. Lembro algumas: Martzin, Lisete, Abel, Maria, Pedro, Aníbal, Mariana, João, Tito, Rita, Laura, Shamil, Alda, Lurdes, Olga, Sílvia, Júlia, Odete, Fernanda, Margarida, Helena, P.e Gonçalo e P.e Carreira das Neves. Estes nomes, que a ti pouco dirão, ou que até podem coincidir com nomes de amigos teus, são para mim um apoio fundamental. São para mim, Miguel, pessoas que me completam. E eu acredito, pois eles não me permitem esquecê-lo, que sou também parte deles, apoio nos momentos de fraqueza, em palavras e presença.

 

É humano, não é extraordinário

Recentemente, na homilia, o Frei Silvestre compartilhou esta bela história. Há algum tempo, tinha assistido a uma reportagem no telejornal sobre os tempos da perseguição ao povo judeu, durante a Segunda Guerra Mundial. O repórter estava a entrevistar uma pessoa de certa idade que, nesse período triste e sombrio da nossa história contemporânea, deu abrigo e salvou muitos judeus. Chegou inclusivamente a ser condecorado e a receber várias medalhas. O repórter, conhecendo o feito, perguntou: «Onde colocou as medalhas? Não as vejo em nenhuma destas estantes.» O ancião, na sua sábia simplicidade, respondeu: «Guardei-as nalgum baú.»

O jornalista ficou visivelmente admirado; trata-se do espanto que nos toma quando observamos alguém fazer de um seu grande feito um acontecimento banal. Mas, creio eu, talvez o ancião estivesse apenas a dizer que todos temos a capacidade de ajudar o próximo, apoiá-lo num momento de dificuldade: porventura, isso não é ser extraordinário, mas ser humano.

Terminamos citando Rudyard Kipling: «Se enfrentarmos triunfo e desastre e tratarmos esses dois impostores das duas maneiras, seremos homens.»

Por: Miguel Pinto Monteiro

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