«Sejam viajantes, não turistas»

Dezembro 2017 / Invencíveis

Sílvia Amaral diz olá ao mundo em oito idiomas: português, italiano, francês, inglês, espanhol, birmanês, sango e suaíli. Já pisou quatro dos cinco continentes – só lhe falta a Oceânia e, já agora, os polos.

Ela recebeu dos pais a ideia da missão além-fronteiras. Eles conheceram-se em Moçambique. O pai era diretor de uma escola na cidade da Beira. A mãe fazia voluntariado com uma congregação de freiras, que formava mulheres em ofícios domésticos, para as ajudar a criar rendimentos. E Sílvia cresceu a ouvir os pais a contar as suas missões em Moçambique, e os amigos dos pais – entre os quais alguns missionários combonianos – a narrar a aventura do anúncio do Evangelho e da promoção humana em toda a África.

Sílvia inscreveu-se nos escuteiros, atraída pela possibilidade de exercitar o espírito de serviço, de ajudar os outros, fazer voluntariado, cuidar da Natureza. Como todos os escuteiros, praticava (pelo menos) uma boa ação por dia.

Seguiu-se a universidade e também ali as atividades mais significativas para Sílvia eram as campanhas do Banco Alimentar contra a Fome e a visita e animação de lares de idosos.

Em 2005, dois colegas escuteiros e amigos seus da paróquia da Charneca da Caparica foram em missão com a ONG Leigos para o Desenvolvimento. O amigo foi para Moçambique e o destino da amiga foi Angola. Em Sílvia nasceu, então, o sonho de fazer um ano de voluntariado.

Missão no Peru

Sílvia concluiu o curso de Arquitetura. Empregou-se. Tornou-se independente. E o sonho do voluntariado parecia ficar para trás. Todavia, passados quatro anos, não estava satisfeita com o trabalho. Não se sentia feliz. Renasceu nela o sonho do voluntariado.

Sílvia procurou organizações com projetos ligados às crianças, por um período de um ano e na América Latina. E encontrou a Fundação Mama Alice, que desenvolve atividades na cidade de Ayacucho, no Peru, com crianças da rua.

Viveu dez meses de voluntariado missionário no Peru. Desenvolveu atividades de ATL com crianças e adolescentes, dos 4 aos 16 anos, naquela região pobre e afetada pelo terrorismo. Deu apoio escolar, lúdico e educativo (aulas de inglês e de música).

Na Cruz Vermelha Internacional

No Peru, Sílvia conheceu a Cruz Vermelha Internacional. O voluntariado passou a ser o seu modo de vida. Desde 2014, pertence a esta organização humanitária que trabalha em zonas afetadas por conflitos armados. Em 2015, partiu para Mianmar; em 2016, para a República Centro-Africana; em 2018, irá para a República Democrática do Congo.

O lema de Sílvia é: «Sejam viajantes, não turistas. Os turistas passeiam e observam. Os viajantes vivem as experiências ao seu alcance com a população local.»

Por: Fernando Félix

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