Rumo ao Jubileu dos Jovens

Março 2016 / Na Escola de Jesus

Dia 20 de março, Domingo de Ramos, é Dia Mundial da Juventude. Esta efeméride tem um aliciante: já só faltam quatro meses para o grande encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa Francisco na cidade de Cracóvia, na Polónia. As Jornadas Mundiais da Juventude decorrerão de 20 a 31 de julho. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7) é o seu tema e também o da Mensagem que o Papa Francisco escreveu para os jovens de todo o mundo, de que citamos o seguinte texto.

Jubileu da Juventude

Queridos jovens. A JMJ de Cracóvia 2016 insere-se no Ano Santo da Misericórdia, tornando-se um verdadeiro e próprio Jubileu dos Jovens a nível mundial.

Este Jubileu extraordinário tem como lema «misericordiosos como o Pai». Para falar de misericórdia, o Antigo Testamento usa vários termos. Um, aplicado a Deus, expressa a sua fidelidade à Aliança com o seu povo, que Ele ama e perdoa para sempre. O segundo, evocando a imagem do ventre materno, faz-nos compreender o amor de Deus pelo seu povo como o de uma mãe pelo seu filho: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria» (Is 49,15). Um amor assim implica criar dentro de mim espaço para o outro, sentir, sofrer e alegrar-me com o próximo.

E tu, caro jovem, cara jovem, já alguma vez sentiste pousar sobre ti este olhar de amor infinito que, além de todas as tuas faltas, limitações e fracassos, continua a confiar em ti e a olhar com esperança para a tua vida? Estás consciente do valor que tens diante de um Deus que, por amor, te deu tudo?

Um olhar sobre a cruz das Jornadas

Sei como todos vós amais a cruz das JMJ – dom de São João Paulo II – que, desde 1984, acompanha todas as Jornadas Mundiais. Na vida de inúmeros jovens, quantas mudanças – verdadeiras e próprias conversões – brotaram do encontro com esta cruz singela!

Talvez vos tenhais posto a questão: donde vem esta força extraordinária da cruz? Aqui tendes a resposta: a cruz é o sinal mais eloquente da misericórdia de Deus. Atesta-nos que a medida do amor de Deus pela humanidade é amar sem medida. Na cruz, podemos tocar a misericórdia de Deus e deixar-nos tocar pela sua própria misericórdia, que reconhece a nossa vida como um bem e sempre nos dá a possibilidade de recomeçar. Gostaria aqui de lembrar o episódio dos dois malfeitores crucificados ao lado de Jesus: um deles é presunçoso, não se reconhece pecador, insulta o Senhor. O outro, ao contrário, reconhece ter errado, volta-se para o Senhor e diz-Lhe: «Jesus, lembra-Te de mim, quando estiveres no teu Reino.» Jesus fixa-o com infinita misericórdia e responde-lhe: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (cf. Lc 23, 32.39-43). Com qual dos dois nos identificamos? Com aquele que é presunçoso e não reconhece os próprios erros? Ou com o outro, que se reconhece necessitado da misericórdia divina e implora-a de todo o coração?

Felizes os misericordiosos

Entramos na lógica divina do dom, do amor gratuito, se descobrirmos que Deus nos amou infinitamente para nos tornar capazes de amar como Ele, sem medida. Como diz São João: «Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus, pois Deus é amor» (1 Jo 4, 7-11).

Podemos ser instrumentos desta mesma misericórdia para com o nosso próximo por meio das 14 obras de misericórdia: dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos; dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do próximo e rezar a Deus por vivos e defuntos.

Duas obras por mês

«Dado que vós, jovens, sois muito concretos, quereria propor-vos a escolha de uma obra de misericórdia corporal e outra de misericórdia espiritual para pôr em prática cada mês» (Papa Francisco).

Por: Jorge Ferreira

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