Roupas verdes

Fevereiro 2015 / Ciência

Designer de moda arrojada, a italiana Marina Spadafora tornou-se conhecida no seu país nos anos 90 do século xx, pelas propostas inovadoras que apresentou nas passarelas de Milão – o que é uma proeza só por si, numa das capitais mundiais da moda, onde não faltam candidatos à fama. Mas ela não se ficou por aí. Já neste século juntou outra novidade à sua forma de trabalhar, chamando uma nova ética para moda, e isso tornou-a mesmo especial.

Convicta de que a sustentabilidade, do ponto de vista dos recursos do planeta, das atividades humanas, incluindo da sua, já não é uma opção mas uma absoluta necessidade se queremos continuar a ter planeta, ela criou em Itália um movimento que conjuga a moda e toda a sua elegância com a preservação do ambiente e com a justiça social. Auteurs du Monde (Autores do Mundo), da qual se tornou diretora criativa, é isso mesmo: a busca, na prática, de uma ética social e ambiental para a moda, uma atividade que é fonte de trabalho e de riqueza para muitas pessoas.

Parte do seu trabalho é percorrer os países africanos, asiáticos e da América Latina para encontrar artesãos que trabalhem com materiais produzidos de forma sustentável, como linho e algodão de agricultura biológica, por exemplo, e contratar com eles – sobretudo elas, porque a maioria das várias centenas de artesãos com quem trabalha são mulheres – a produção de roupas, de malas ou de outros artefactos, que depois são comercializados em Itália no comércio justo: o Altromercado.

Mostra-me quem és pelo que vestes!

«Por meio da moda, as pessoas mostram as suas escolhas de estilo de vida, e as roupas e os seus acessórios são também escolhas claras para os que dessa forma querem expressar valores como o respeito pelos direitos humanos, pela justiça social e pela proteção do ambiente», explicou assim Pierluigi Traversa, diretor de comunicação do Altromercato à revista Vogue a filosofia do movimento. Sublinhando a ética que define o movimento, afirmou: «Com as coleções do Auteurs du Monde, o Altromercato pretende criar outra moda, que seja original e justa.»

O surgimento de um movimento deste tipo, que agrega ao mundo da moda uma ética social de respeito pelos direitos humanos e uma ética ambiental que promove a preservação dos recursos da Terra, e que está a crescer e a ganhar terreno, torna-se ainda mais importante por isso acontecer em Itália, um dos centros mundiais da moda. Por causa disso, o exemplo ganha maior visibilidade e pode mais facilmente contagiar outros países e outras pessoas. E este pode, assim, tornar-se também um emprego mais verde, para usar a designação dos especialistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que estimam que o crescimento dos empregos verdes é uma inevitabilidade no futuro para todas as atividades humanas.

Falámos já de três empregos verdes

Tal como acontece noutras áreas – já vos falei aqui da arquitetura e do jovem português João Boto Caeiro, que ganhou um prémio nessa área, no México, por um edifício construído com materiais locais que gasta pouca energia –, a moda, ao que parece, também encontrou esse caminho da sustentabilidade. E os exemplos multiplicam-se…

Por: Maria Filomena Silva

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