Ser jogador de futebol é um sonho com que muitos nascem, alguns alimentam e poucos concretizam. Não é de estranhar que assim seja: ser atleta profissional implica muito esforço, sacrifício, abdicação.

Nos desportos que movimentam fortunas e geram fama, a imagem de um mundo dobrando-se aos pés das estrelas pode levar a conclusões erradas. Quem vê um jogo não observa os treinos, quem aplaude um arranque e corrida não se dá conta das dores, quem celebra um golo esquece os fracassos e os assobios nos falhanços.

 

Vida que merece um filme

No nosso tempo, o futebol é marcado por um atleta excecional: Cristiano Ronaldo. Nascido numa família humilde da ilha da Madeira, quis ser futebolista. Do Andorinha para o Nacional, daqui para o Sporting. Depois veio a sedução pelo Manchester United e, finalmente, o Real Madrid. Em Ronaldo, a mesma atitude, eventualmente aperfeiçoada ao longo do tempo: disciplina, ambição, concentração.

Tal tem sido a notoriedade de Ronaldo que, em 2015, foi rodado um filme retratando a sua história e o seu quotidiano. Decorre deste documentário um ser humano bem formado, maduro, consciente da transitoriedade do sucesso, orgulhoso dos seus feitos, amigo dos seus amigos, da sua família. Por vezes, atribui-se-lhe uma certa vaidade. A questão é saber se isso é de censurar a alguém que conquista num contexto altamente competitivo.

 

A perfeição é conquistada

Aquilo que mais interessa em Ronaldo nem é tanto o seu desempenho dentro do campo, os golos, o sucesso, os contratos milionários, o estrelato. O seu foco está precisamente naquilo que o tornará um exemplo para jovens e graúdos, néscios e sábios.

Quem conhece minimamente o desporto já percebeu, há muito, que Ronaldo não é tão dotado tecnicamente como os demais presentes no Olimpo do Futebol. Aliás, é esta a razão por que amiúde se duvida de que seja o melhor de todos os tempos ou sequer do seu tempo. Ronaldo não faz, nunca fará, o que fizeram Pelé, Maradona, Zidane ou Messi. Ele não nasceu com o mesmo talento, de modo que nunca será como eles.

Se a personalidade de Ronaldo fosse convencional, ele seria simplesmente um bom jogador, uma pequena estrela. Mas ele, desde cedo, lutou contra as suas limitações, procurou e alcançou uma perfeição que lhe não foi dada, mas conquistada. Ele teve, a partir de tenra idade, maturidade para definir objetivos, traçar um caminho e percorrê-lo, apesar das quedas, das dificuldades.

Ronaldo é e será uma estrela que se vê e verá de outros observatórios, que não apenas o campo de futebol. Há muitos Ronaldos: pessoas que, noutras atividades menos mediáticas, vão além dos seus dotes, superando-se, ombreando com os predestinados, ultrapassando-os. Eles são por isso, tal como o nosso Ronaldo, os melhores do mundo.

 

Sobre o filme

Título: Ronaldo

Realização: Anthony Wonke

Elenco: Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Maria Dolores S. Aveiro

Género: Biografia

Duração: 1h42m

Assiste ao trailer

 

 

Por: João Martins

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