Rezar a Deus por vivos e defuntos

Abril 2017 / Valores de sempre

 

Concluímos a série de reflexões sobre as 14 obras de misericórdia com a necessidade de rezar a Deus por vivos e defuntos. Tal como o amor, a oração também é uma tarefa. Habitualmente, quando nos aproximamos de Deus, pedimos por nós, pelos nossos familiares e pelas nossas necessidades. Porém, a oração obriga-nos a orar também por outras pessoas e nações, até pelas desconhecidas.

 

A importância da oração

Na oração expressamos a ligação que existe entre a relação com Deus e a responsabilidade pelos outros, entre o amor a Deus e a solidariedade para com os irmãos. Assim como nós vivemos com e pelos outros, também rezamos com e pelos outros.

A oração, elevada a Deus, não nos dispensa de agir. Etimologicamente, «interceder» significa «dar um passo entre», «interpor-se», «pôr-se entre duas partes para tentar construir uma ponte, uma comunicação entre elas». Foi isto que Jesus fez na cruz.

 

Rezar a Deus por vivos

Na oração, não pedimos a Deus que se lembre de alguém, mas, diante Dele, recordamos alguém, para que a nossa relação com essas pessoas seja iluminada pela Palavra e Presença de Deus. Ao mesmo tempo, dispomo-nos a fazer tudo o que nos é possível em favor dessas pessoas como mandato de Deus. Neste sentido, pela oração, lutamos contra o esquecimento que nos ameaça, purificamos a nossa relação com os outros e concebemos gestos concretos em favor daqueles pelos quais rezamos. Foi o que aprendemos com Jesus, que, mesmo rezando num lugar isolado, orou pelos seus discípulos e Ele, agora, também nos pede a nós, seus discípulos, que rezemos uns pelos outros.

 

Rezar a Deus pelos defuntos

A oração pelos defuntos é sustentada pela fé na ressurreição. A comunhão experimentada em vida não é desfeita com a morte, porque os crentes encontram a sua vida em Cristo. Ou seja, os que vivemos neste mundo, estando em união com Cristo, permanecemos em comunhão com aqueles que morreram e vivem com Cristo nos Céus.

Deste modo, ao rezarmos pelos defuntos, também rezamos com eles. Rezar pelos outros e com eles é uma forma de lhes mostrar o bem que lhes queremos, é tê-los presente, é integrá-los no nosso presente, na nossa vida.

 

Oração no silêncio

Rezar não é simples: o aborrecimento, a preguiça ou a repetição podem torná-la difícil. A dificuldade aumenta diante do aparente «silêncio» de Deus. Acresce ainda que, com frequência, o diálogo com Deus é feito de e no silêncio, o que não é muito gratificante. Mas, como nos lembra Santa Teresa de Ávila, é no silêncio que nos tornamos disponíveis, nos abandonamos com confiança e nos aproximamos de Deus. Repetir uma oração, meditá-la, saboreá-la, vibrar com ela, é construir um diálogo com Deus.

 

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Por: Abel Dias

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