Refugiados para a vitória

Maio 2016 / Campeões

O COI esforça-se para que nenhum atleta seja impedido de competir por razões políticas.

 

Quando faltam três meses para os Jogos Olímpicos, este megaevento começa a estar na ordem do dia. A primeira edição na América do Sul será acolhida pela brasileira cidade maravilhosa do Rio de Janeiro que, um século depois, vai fazer regressar o râguebi sevens e golfe, para substituir o beisebol e o softbol, eliminados do programa olímpico. Mas a grande novidade será a presença de uma equipa representativa dos refugiados entre os cerca de 12 500 atletas. Há mais de 40 refugiados candidatos apoiados pelo Comité Olímpico Internacional (COI) e prevê-se que entre cinco e dez consigam os mínimos para se habilitarem à conquista de qualquer uma das 306 medalhas de ouro em disputa.

 

Não será a primeira vez que atletas competirão nos Jogos Olímpicos sob a bandeira do COI. Ainda na última edição, Londres 2012, aconteceu com Guor Marial, maratonista refugiado do Sudão do Sul nos EUA. O seu país natal só se tornou membro do COI em 2015 e, tal como o Kosovo, só agora poderá qualificar atletas.

Ao todo, são 206 nações (Kuwait excluído, por interferências do Governo no comité olímpico deste país árabe) a tentar entrar na grande festa do desporto mundial, entre 5 e 21 de agosto (embora haja jogos de futebol dois dias antes).

Tentando mostrar o poder do desporto para fazer do mundo um lugar melhor, o COI esforça-se para que nenhum atleta seja impedido de competir por razões políticas e apoia financeiramente aqueles que revelam potencial para atingir os mínimos desportivos para estar nestas provas do mais alto nível.

A primeira equipa não representante de um país soberano será designada de Atletas Olímpicos Refugiados (ROA na sigla em inglês) e desfilará em penúltimo na cerimónia de abertura, no Estádio do Maracanã, antes do Brasil.

 

Quando um refugiado carregou a tocha olímpica acesa no dia 21 de abril, já havia pelo menos uma refugiada apurada para o Rio 2016. Raheleh Asemani nasceu no Irão há 26 anos, mas lá nunca teve condições para desenvolver a sua aptidão para os combates de taekwondo.

Raheleh refugiou-se na Flandres, onde trabalha como carteira, e foi a primeira candidata a integrar a ROA (o que acontecerá se, entretanto, não se tornar cidadã belga, como deseja), ao alcançar o apuramento olímpico, em janeiro.

Entre os mais de 40 bolsistas do COI há uma nadadora síria exilada na Alemanha, Yusra Mardini (na foto), e o próprio Brasil acolhe um judoca congolês que, como todos os atletas, sonha com o ouro. Se o receber, será ao som do Hino Olímpico e não do seu hino nacional, como sempre aconteceu.

Enquanto os atletas paraolímpicos se preparam para competir entre 7 e 18 de setembro nos mesmos palcos, teremos refugiados em «fuga para a vitória», tal como no magnífico filme de John Huston, em que Michael Caine e Silvester Stallone contracenam com Pelé e outros craques.

Por: Luís Óscar

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