Re-sentir o amor (1)

Fevereiro 2018 / Bíblia-app

 

O ressentimento é uma emoção muito forte. Surge de um sentimento de traição ou de um mal que sentimos não merecer, que consideramos injusto.

 

Esta sessão de catequese principia com Cristina de costas voltadas para Joel, porque, no meio do seu imenso rol de traquinices, ele lá fez algo que magoou a colega. Ela estava mesmo chateada, e isso não passou despercebido a Matilde, que aproveitou o ensejo para tratar do tema dos ressentimentos. Numa espécie de teste, pergunta a Cristina:

– Pensas repetidamente no que o Joel te fez e que encaras como uma ofensa?

– Sim! – respondeu a jovem, grave e séria, como se tivesse sido vítima da maior injustiça do mundo.

– Tens vontade de te vingar do que achas que ele te quis fazer?

– Tenho – ripostou ela, meio envergonhada, mas ainda convicta de estar no seu direito.

– Que meios estás a usar para lhe perdoar? – insistiu a educadora.

Cristina ficou em silêncio, cabisbaixa, sem saber o que dizer. Então, Matilde propôs que todos ouvissem Jesus, Ele que foi também Mestre de Perdão. Leem o excerto do Evangelho de S. Lucas que relata o episódio em que Jesus enviou mensageiros à sua frente a uma povoação samaritana para preparar alojamento. Contudo, os samaritanos não O quiseram receber porque se dirigia para Jerusalém (Lc 9, 51-56). Tiago e João, amigos de Jesus, ficaram indignados com esta atitude e perguntaram-Lhe se queria que fizessem descer fogo do céu para acabar com eles. Jesus, porém, repreendeu-os e seguiram o caminho.

– Neste excerto – explica Matilde –, Jesus mostra-nos que não é no ressentimento, na vingança nem no rancor que está a resposta. Ele não Se deteve a pensar vezes sem conta na ofensa recebida e em como eram ingratas aquelas pessoas, que não O acolheram, a Ele que só ia fazer-lhes bem, nem Se entreteve a planear como deveria fazê-las pagar por tamanho desplante. Porque não estava à espera que Lhe devolvessem o bem com o bem, Jesus não criou falsas expetativas. E não permitiu que o sucedido Lhe retirasse a paz.

Cristina acusou o toque…

– Naturalmente que é muito mais fácil de dizer do que de fazer… – recentra a catequista –, sobretudo quando nos fazem coisas que julgamos imperdoáveis, mas, na verdade, Jesus perdoou, do alto da Cruz, àqueles que O mataram (Lc 23, 34)… Haverá ofensa maior do que tirar a vida, ainda por cima de forma tão injusta e infame?!…

Cristina começa a sentir o absurdo da sua reação perante a brincadeira de Joel. Matilde sugere que releiam em casa o trecho do Evangelho de S. Lucas, para retomarem o assunto na próxima catequese.

 

 

Pensa nisto

O ressentimento cega a capacidade de amar e perdoar, a criatividade para procurar alternativas e a possibilidade de sermos felizes.

 

Por: Maria Mendonça

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