Que solução para o mal?

Março 2019 / Cineaudácia

 

Osamu e Nobuyo Shibata são uma família muito pobre. Para sobreviverem, recorrem a pequenos furtos em lojas e supermercados. E é desta maneira que começa o filme Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões. Osamu entra numa mercearia acompanhado por Shota, um pré-adolescente a quem ele tenta convencer a tratá-lo por pai. Calmos e sem falarem, trocam sinais por olhares e gestos. Enquanto Osamu se encarrega de distrair, Shota furta, e saem da loja com um bom pé-de-meia.

Pelo caminho, os cúmplices Osamu e Shota encontram uma menina, Yuri, enregelada e com fome. Osamu decide levá-la para a sua casa, que é pobre, mas feliz. No início, Nobuyo não quer mais uma boca para alimentar. Mas, quando descobre as nódoas negras e cicatrizes no corpo da menina, decide ser a nova mãe da pequena.

Em contraste com esta família, surge a mãe de Yuri, que ostenta esse título, mas negligencia e agride a criança.

Também ficamos a saber que o lojista, afinal, fazia de conta que não via que era assaltado.

A intenção do filme é provocar a reflexão acerca do lado hipócrita da sociedade. Se é certo que, pela lei, os Shibatas roubam, que Yuri é raptada… a verdade é que todos os outros adultos fazem maldades. Uma boa atitude podia ser cada um interrogar-se se faz todo o bem que lhe é devido, antes de julgar os outros.

O espectador concorda que há amor genuíno a unir o clã Shibata – que vive à margem da lei –, mesmo sem ter laços de sangue. E, no final, todos assumem a inquietação de Yuri, na varanda, a olhar o horizonte vazio, pois foi devolvida pela justiça aos seus pais biológicos, que continuam a discutir e a tratá-la mal.

 

Sobre o filme

Título: Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões

Género: Drama

Realizador: Hirokazu Kore-eda

Duração: 121 minutos

Amostra:

 

 

 

Por: Audácia

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