Quanto mais dás, mais recebes

Maio 2015 / Invencíveis

«O verdadeiro amor não se desgasta. Quanto mais se dá, mais se tem», escreveu Saint-Exupéry. A Irmã Paciencia Melgar, da Guiné Equatorial, velou pelos doentes de ébola na Libéria até pôr em risco a própria vida.

A Irmã Paciencia Melgar é enfermeira desde 1996. Depois de se formar no seu país, e após sete anos em dois hospitais públicos na Guiné Equatorial, partiu para a Libéria. É missionária da Imaculada Conceição e trabalhava com mais duas irmãs no Hospital San José de Monróvia, administrado pelos Irmãos de São João de Deus. Nesta unidade de saúde, ela era responsável pela farmácia de Medicina Pediátrica e Geral, acompanhava os doentes que precisavam de cuidados especiais para se alimentarem e integrava uma comissão criada para reduzir a mortalidade materno-infantil.

Foi neste hospital que acompanhou os infetados com o vírus do ébola a partir de março de 2014, e ela mesma foi contagiada, naquela que é a maior epidemia da História: surgiu em dezembro de 2013, infetou até ao presente perto de 25 mil pessoas e causou a morte de mais de dez mil.

A Irmã Melgar está agradecida pelo dom que é estar viva. Quando o diretor do hospital, o Ir. Patrick, ficou doente, foi preciso colocá-lo em quarentena e mantê-lo em isolamento. Faleceu a 2 agosto de 2014. Nessa altura, também ela foi colocada em quarentena e mantida em isolamento durante 16 dias. Soube que o Irmão Miguel Pajares tinha regressado a Espanha confiado num tratamento. Mas também não resistiu, e morreu a 12 de agosto. O ébola também vitimou as duas irmãs que estavam com ela.

«O que poderíamos fazer? Esperar… Eu confiei-me a Deus. Eu estava convencida de que ia morrer. E, se a morte viesse, eu não tinha medo. Se sobrevivesse, seria graças a Deus», confidencia a missionária. «Quando vês as necessidades dos outros, e tens vontade de os ajudar, esqueces-te de ti mesma, de ti mesmo… Só pensas que a outra pessoa precisa de ti…», resume deste modo a Irmã a sua entrega aos doentes de ébola até pôr em risco a própria vida.

A vida corre-lhe no sangue

O segundo objetivo do Papa Francisco ao anunciar o Ano da Vida Consagrada (que está a decorrer até 2 de fevereiro de 2016) é que os religiosos criem modos de vida onde se viva o dom, a fraternidade, o acolhimento da diversidade, o amor recíproco.

A Irmã Paciencia Melgar sobreviveu ao ébola e o seu sangue ajuda outros doentes a vencer o vírus. Por isso, é dadora. Deseja poder voltar à Libéria, ao seu hospital e aos seus doentes… e não encontrar lá nunca mais o ébola.

Por: Fernando Félix

Deixe uma resposta