Proposta mundial: Que 31 de maio seja Dia dos Irmãos

Maio 2015 / Destaque

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) quer instituir o Dia dos Irmãos, a ser celebrado mundialmente a 31 de maio.

A criação do Dia dos Irmãos «é importante para chamar a atenção para os vínculos familiares de longa duração, que comportam afetividade, memórias, partilha, tolerância. […] Os irmãos são a relação mais longa da vida e pensamos que não se valoriza socialmente esse vínculo», disse Ana Cid Gonçalves, secretária-geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) no seu sítio: www.apfn.com.pt.

Fernando Ribeiro e Castro, que fundou e foi presidente da APFN e da Confederação Europeia de Famílias Numerosas (ELFAC, na sigla em inglês), foi o primeiro a idealizar esta comemoração: «Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão. Se queres ver uma criança muito feliz, dá-lhe muitos irmãos», disse.

A escolha do dia 31 de maio deve-se às comemorações já estabelecidas neste mês: o Dia das Mãe (no primeiro domingo, em Portugal); o Dia Internacional da Família (a 15), e por ser a véspera do Dia Internacional da Criança, festejado a 1 de junho. «E não há nada melhor para uma criança do que ter um irmão», destaca Ana Cid, que acrescenta: «É como se, coletivamente, na véspera do dia das crianças, lhes assinalássemos a felicidade de terem ou virem a ter irmãos.» Para mais informações, acede a www.diadosirmaos.org.

Dia do irmão já existe em dois países

No Brasil, o Dia do Irmão é celebrado a 5 de setembro por iniciativa da Igreja Católica, que o associa à memória da beata Madre Teresa de Calcutá. No contexto religioso, a palavra «irmão» está ligada à palavra «próximo», e esta comemoração serve para incentivar as pessoas a repensarem as suas atitudes para com os outros.

O Dia do Irmão é também celebrado na Índia, em agosto, e homenageia os irmãos de sangue. Trata-se de um festival hindu, em que as irmãs mais novas vão ter com os irmãos mais velhos, levam-lhes presentes, pedem-lhes a bênção e impõem uma mistura, chamada tica, na testa deles; por sua vez, os irmãos amarram uma pulseira no pulso das irmãs, selando os vínculos.

Histórias contadas por pais

«Costumo dizer que só começamos a ser pais ao segundo filho; o primeiro é sempre uma criança em perigo. Mistura-se tudo: os pais que tivemos, os pais que desejávamos ter tido, os pais que desejávamos ser, os filhos que imaginamos construir», confidenciou Eduardo Sá, psicólogo clínico infantojuvenil.

«Tenho três filhas e, à medida que crescem, percebo o quanto aprendo com elas, é um intercâmbio recíproco, cada uma me ensina algo e contribui com dons e talentos que enriquecem a nossa vida familiar e também onde quer que estejam. A mais velha é extrovertida, gosta de conversar, de estar com as pessoas, de fazê-las sorrir, de vê-las felizes. A do meio gosta das coisas ordenadas, é mais silenciosa, tranquila. A “caçula” é muito criativa, gosta de aprender, por isso está sempre à procura de algo novo para fazer, o que a faz muito companheira», conta Cristiane Maria Sbardelotto Hoffmeister, do Brasil.

«Os momentos mais marcantes enquanto mãe são, curiosamente, os quotidianos: quando os meus filhos adormecem abraçados a mim, quando oiço a suas gargalhadas ou os seus passos enérgicos pela casa, os vou buscar à escola e sou recebida com alegria esfuziante; quando superam os desafios que a vida já lhes vai trazendo e saem deles radiantes de satisfação e orgulho; quando vejo como o meu filho mais velho é de uma coragem assombrosa e o meu filho mais novo gosta de se arvorar em protetor da família; quando exercitam os seus sentidos de humor e os seus talentos…», testemunha Maria João, também de Lisboa.

«Quando me pedem para fazer a minha apresentação, uma das coisas que me dá gozo escrever é: pai de quatro magníficas filhas. Quatro?!? Sim, com 9, 7, 5 e 3 anos. Uma pequena comunidade doméstica. As quatro são magníficas epifanias nas nossas vidas: a Clara [delicada], a Inês [enérgica], a Sofia [simpática] e a Maria [safadeca]. Cada uma tem o seu toque no cumprimento das regras estabelecidas: saber esperar; ter paciência; aprender a partilhar o espaço (dormem as quatro no mesmo quarto) e o que já não é necessário com a Ajuda de Berço; a rezar juntos à mesa…», diz Bento Oliveira, lisboeta.

O que acontece entre irmãos

Quem tem um irmão, uma irmã ou irmãos, aprende a crescer juntos, pratica a entreajuda, a cooperação e a divisão de tarefas; vive aventuras únicas de cumplicidade; experimenta a solidariedade de quem está unido por laços de sangue e é capaz de se alegrar com a felicidade do outro, de chorar se ele está triste, de o corrigir se está errado, de se enfurecer com quem faz mal ao seu irmão ou à sua irmã, de ficar grato com quem lhes faz bem; exercita a tolerância e a reconciliação; valoriza as suas raízes familiares.

Por: Jorge Ferreira

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