A 21 de março, assinala-se o Dia Mundial da Árvore. Todos sabemos que a instituição deste dia pretendeu chamar a atenção bem mais do que para esta planta singular de caule lenhoso. A árvore tem um valor simbólico, e até espiritual, em muitas culturas. Um exemplo é o famoso e formoso embondeiro, em África, que abriga sessões de culto religioso.
A capacidade tão humana de mostrar mais do que os olhos veem e de dizer mais do que os ouvidos ouvem também se reflete no Dia da Árvore. Este é, em bom rigor, o dia da proteção do ambiente, da Natureza, da biodiversidade, do equilíbrio natural em que os seres vivos são capazes de habitar neste planeta belo, complexo e completo.
A árvore é também símbolo de vida. Até se fala, como sabemos, da «árvore da vida» (Génesis 2, 9). Pois bem, o dia 21 de março é também o momento para compreendermos que se não atingirmos rapidamente um modo de realizar os nossos interesses sem prejudicar gravemente a Natureza, acabaremos com a nossa vida ou, pelo menos, com a vida tal como a conhecemos.
Plantou floresta em trinta anos
Vale esta introdução para convocar os teus sentidos para uma história de vida fabulosa. Viajemos num ápice até Assam, na Índia distante, para encontrarmos Jadav «Molai Kathoni» Payeng. Este trabalhador florestal, agora com 54 anos, preocupa-se desde adolescente com o ambiente. Aos 16 anos, engendrou um modo de proteger um ecossistema de cobras, que morriam devido às inundações, numa zona perto do local onde havia nascido. Mais tarde, participou como trabalhador numa equipa que se ocuparia de reflorestar uma pequena porção de terra, precisamente em Assam. A tarefa foi dada por encerrada, mas Jadav decidiu ficar. Não só se ocupou de cuidar das árvores plantadas, como fez nascer outras.
A dedicação e empenho de Payeng foram levados muito longe. Nas quase três décadas de investimento na sua causa, sozinho, só com o auxílio dos seus braços, da bravura do seu espírito e da devoção ao ambiente, ele criou, literalmente, uma floresta. Numa zona que antes era deserto, vivem agora, além de várias espécies vegetais, rinocerontes e elefantes, bem como outros animais.
Em homenagem a Jadav Payeng, a zona é hoje conhecida por Molai Kathoni («Floresta Molai»). Molai é o nome carinhoso por que ele era tratado pela família, e Kathoni significa «floresta» em assamês.
Numa entrevista, Molai mostrou a sua índole pura e bem-intencionada, dizendo: «Nunca pensei que a minha pequena iniciativa viesse a fazer uma diferença tão grande.» E continuará a fazer. Não só pelas árvores plantadas, mas sobretudo pela mensagem e o exemplo que planta no espírito daqueles – como tu e eu – que se cruzam com a sua história fabulosa.




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