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Aos 6 anos, Beatriz Martins, natural de S. Paulo, no Brasil, já era uma criança empreendedora e solidária. Começou com pequenos gestos que se vieram a tornar uma ONG que já ajudou mais de 100 mil pessoas.

Tudo começou em 2006, quando um dia, passeando com a sua família, o carro parou diante de um semáforo e viu crianças mal vestidas aproximarem-se dos carros a pedir rebuçados. Esta cena permaneceu no imaginário de Beatriz por algum tempo. «Perguntei ao meu pai porque aquelas crianças estavam assim. Ele falou-me de problemas sociais, desigualdades, pobreza, mas eu não fiquei muito convencida com essa explicação», recorda.

Incapaz de compreender o que estava em causa, sentia-se indignada e chocada pela situação daquelas crianças da sua idade, e a única coisa de que tinha a certeza era que tudo aquilo era uma enorme injustiça. «Eu não sabia o que eram problemas sociais. Sabia que aquela cena (crianças sujas, com roupas rasgadas) não estava certa, pois eu tinha meus brinquedos, minha roupinha e elas estavam naquela situação. Infelizmente, tanto em 2006, quanto hoje, os problemas aumentaram mais ainda, e isso é um desafio para nós.»

Rebuçados e doces

Decide passar à ação, e foi assim que começou a guardar todos os rebuçados e doces com a ajuda dos seus amigos, vizinhos e o próprio pai, que a apoiou desde a primeira hora. Por altura do Natal de 2006, já havia ajudado mais de 600 crianças com os rebuçados e doces que recolhera ao longo desse ano.

Bia (Beatriz Martins de Sousa, nome completo) continuou nos anos seguintes ajudando crianças por altura do começo do ano escolar, da Páscoa, do Natal, do Dia Mundial da Criança. A sua iniciativa foi crescendo e ganhando simpatizantes até se tornar uma ONG, denominada Olhar de Bia, que já ajudou mais de 100 mil pessoas: «O Olhar de Bia nasceu como uma ação, um movimento que eu nunca pensei que fosse chegar aonde chegou. Até agora já ajudámos mais de 100 mil pessoas. No decorrer das ações começámos a notar que os nossos rebuçados e brinquedos não supriam as necessidades. Começámos a nos organizar para ajudar a mudar a realidade da vida dessas pessoas.»

Ensinar a pescar

O Olhar de Bia tem várias ações durante o ano com o fim de recolher brinquedos, produtos e materiais que possam ajudar as crianças carenciadas. A ONG distribuiu no último Natal brinquedos, roupas, livros e aparelhos eletrónicos em escolas e creches. Enviou também donativos para as vítimas das chuvadas que assolaram o território do Espírito Santo, deixando mais de 60 mil pessoas desalojadas.

Bia explica que a organização quer lançar novos projetos e cursos profissionais, como gastronomia, fotografia, vídeo e edição. «Temos como objetivo principal ensinar as pessoas a pescarem, não dar o peixe pronto… E com educação, capacitação e muito trabalho iremos conquistar os nossos objetivos.»

Por: António Carlos

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