Paz e fair play são golos do Barça

Maio 2014 / Campeões

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O Barcelona deu milhão e meio de euros, por ano, para crianças pobres.

Ainda não se conhece a programação da pré-temporada do FC Barcelona, mas é provável que inclua na preparação da época 2014-2015 mais do que jogos de treino e volte a dar atenção às causas sociais. Certo, certinho, é que não haverá a habitual tournée, por falta de datas. A final do Mundial, a 13 de julho, reduz o período do defeso, aproveitado para realizar digressões que garantem preparação para a nova época, receitas adicionais e prestígio internacional. Se o Mundial vai interferir com a generalidade dos principais clubes, imagine-se com a equipa que é a base da seleção que vai defender o título (Espanha) e que integra internacionais das principais nações do futebol.

 

Como retratámos na edição n.o 473, de abril de 2010, o Barcelona faz questão de ser «més que un club» («mais do que um clube», em catalão). O Barça tem uma fortíssima preocupação com a sua imagem e com a responsabilidade social.

Não por acaso, foram os blaugrana os últimos a ceder à comercialização do equipamento. As novas camisolas rosa-choque (muito polémica) e as cinzento-escuras voltarão a ter publicidade a uma companhia aérea do Médio Oriente, tal como a principal, azul e grená. Mas, durante os primeiros cinco anos de abertura à publicidade nas camisolas, o Barcelona usou o logótipo da Unicef, além de ter oferecido 1,5 milhões de euros por ano para apoiar projetos que envolvam crianças desfavorecidas, começando por um programa na Suazilândia, um dos mais pobres países africanos.

Além de disponibilizar um dos espaços publicitários mais cobiçados do mundo, o Barça ainda contribuiu financeiramente para dar «uma nova esperança mundial para crianças vulneráveis». Esta boa vontade justificou o Prémio Fair Play da FIFA, que lhes foi atribuído em 2007.

 

Na pré-temporada do ano passado, o Barcelona tentou ajudar na construção da paz em Israel. A ideia era organizar um jogo em que defrontariam um misto de israelitas e palestinos. Apesar de as partes desavindas estarem num processo de reaproximação, não foi possível ir tão longe e juntá-los sob a mesma camisola.

No entanto, os craques blaugrana fizeram um treino-convívio com crianças israelitas e palestinas, em separado, no chamado «Tour de Paz». «Vocês são mensageiros da paz, trazem luz às crianças e esperança ao nosso povo», agradeceu o presidente de Israel, Shimon Peres.

O Estádio Bloomfield, em Telavive (Israel), encheu-se de caçadores de autógrafos, tal como na véspera havia acontecido no Municipal de Dura (Cisjordânia), numa ação semelhante, a par de uma reunião com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Messi, Xavi, Iniesta e Piqué visitaram crianças doentes de cancro. Também foi assinada uma Declaração de Tolerância, que passou a fazer parte do currículo nas escolas israelitas.

Por: Luís Óscar

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