Os iks do Uganda amam a paz

Janeiro 2018 / Povos do Mundo

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O povo ik – também chamados teuso em tom depreciativo, pois significa «pessoas pobres, sem gado nem armas» – é um grupo étnico com cerca de dez mil pessoas que vive nas montanhas do nordeste do Uganda, perto da fronteira com o Quénia, na África Oriental.

Descendem de um grupo maior de pessoas de língua culiaque que migraram de Etiópia, Sudão e Egito.

Os iks falam icetot, um idioma nilótico, que não é entendido pelos povos vizinhos. Isso contribui para o seu isolamento. Outro fator é praticarem uma agricultura de subsistência, cultivando milho e tabaco, e moem os seus grãos. Também caçam e coletam mel.

Vivem em pequenas aldeias, a mais de dois mil metros de altitude. Cada aldeia é cercada por um muro exterior e, no interior, há bairros familiares ou baseados em amigos, chamados odoks, cada um separado por uma vedação.

Os iks vivem rodeados por duas tribos mais numerosas e fortes: os karimojongs e os turkanas, que são pastores. Têm sido atacados, mas comportam-se pacificamente. Porque, segundo diz uma lenda ik, Deus criou os pastores e entregou-lhes lanças junto com o gado. E criou os agricultores, como eles, e deu-lhes enxadas, com a ordem de nunca matar.

 

Curiosidades dos iks

Os homens são divididos e convivem por faixas etárias: de 0 a 2 anos; de 3 a 8 anos; de 9 a 13 anos; e adultos.

Os adultos não tomam conta das crianças, é responsabilidade da avó.

O evento social e religioso mais importante no ciclo anual é a cerimónia da bênção das sementes, que dura três dias no final de dezembro e início de janeiro.

O homem paga o dote da noiva: de 5 a 10 colmeias, galinhas, cabras ou dinheiro em vez de gado.

A evangelização do iks começou em 1950. A maioria são católicos. Recebem a visita do padre uma vez por ano. Não dispõem de Bíblia no seu idioma.

Contam com apenas duas escolas primárias e uma clínica médica.

Por: Fernando Félix

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