Os adolescentes e as redes sociais

Fevereiro 2017 / Destaque

Aud_Fevereiro2017_Pag18

 

Dois investigadores britânicos acompanharam um grupo de adolescentes durante um ano para estudar a relação entre eles e as plataformas de comunicação social.

 

Sonia Livingstone é professora de Psicologia. Julian Sefton-Green estuda a relação dos jovens com as plataformas de comunicação social. Os dois passaram um ano com um grupo de adolescentes de Londres para estudar como vivem. Da pesquisa resultou o livro The Class: living and learning in the digital age («A aula: vivendo e aprendendo na era digital»).

Os investigadores procuraram analisar semelhanças e diferenças entre os relacionamentos dos adolescentes de 13 e 14 anos no mundo real e no mundo virtual. Para isso, acompanharam-nos na escola, em casa e em lugares que frequentavam no quotidiano. Também fizeram perguntas aos pais, professores e outras pessoas dos lugares frequentados.

 

Mundo do adolescente

Sonia e Julian procuraram respostas para várias perguntas, entre as quais: as novas tecnologias oferecem aos adolescentes de hoje mais oportunidades do que as que tiveram os seus pais? Os aparelhos e as redes sociais favorecem caminhos novos ou mais fáceis para criar amizades? Num mundo de avalancha de informação, quais são as preferências: música, diversão, expor-se? O que é esperado dos pais e o que fazem eles ao criar os filhos na era digital?

 

Individualismo e privacidade

Para Sonia e Julian foi revelador o que aconteceu durante uma competição escolar internacional. Os adolescentes londrinos separaram estudo e vida privada. Restringiram o acesso ao seu perfil nas redes sociais, para que não ficassem expostas informações entendidas como da privacidade de cada um. Também a professora optou por enviar correio eletrónico, em vez de interagir no grupo de discussão criado.

 

Diferenças entre perto e longe

Sonia e Julian testemunharam um entusiasmo maior nos alunos quando se tratava de participar presencialmente em pequenos grupos locais, e menor quando o desafio era interagir nas redes sociais por uma causa algo distante. Por outro lado, quando o principal objetivo era conectar-se com os amigos separados deles fisicamente por pouca ou larga distância, prevalecia o uso das tecnologias.

Em relação aos adultos, à primeira vista, a reação dos adolescentes parecia ser barrar qualquer interação. Mas o estudo mostrou que eles gostam de discutir ideias e sentimentos, só não aceitam ser julgados nem controlados; que se preocupam com a família; que recorrem aos pais quando têm problemas.

 

Será a Internet um monstro?

A sociedade sublinha os paradoxos e os riscos associados à Internet. E pouco se tem feito para citar boas páginas para os mais novos – confrontados, os adolescentes londrinos não conseguiam nomear mais do que cinco – nem para criar hábitos que os libertam do tédio que os faz recorrer às redes sociais até 100 vezes por dia. Concluíram os investigadores que, sem descartar os riscos, é mais importante indicar regras para navegar com segurança e que uma tarefa para todos os educadores seria exercitar o espírito crítico nos adolescentes e incentivá-los a participar ativamente na sociedade.

Por: Fernando Félix

Deixar uma resposta