O valor do (bom) humor

Janeiro 2015 / Valores de sempre

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Com o início do novo ano,vêmnormalmente os desejos/propósitos, tidos como algo a conseguir e que promovem uma mudança: amor, êxito profissional, dinheiro, prosperidade, amizades, saúde normalmente fazem parte dessa lista.

 

No momento de formular os nossos desejos, não podemos esquecer algo que ajuda, e muito, a obter cada um deles. É algo simples, fácil e barato: alimentar diariamente o nosso bom humor.

É uma questão de atitude

Bom humor é muito mais do que saber contar piadas. É sobretudo um estado emocional que se caracteriza pela capacidade de ver o lado bom das coisas. É uma forma de olhar a realidade, procurando a satisfação pessoal e comunitária. Pessoas que exercitam o bom humor produzem mais, vivem melhor, adoecem menos e tendem a gostar do que fazem.

A nossa vida é complicada, dividindo-se em pequenos problemas, e viver é enfrentar e resolver problemas. Se os problemas são encarados com mau humor, eles tornam-se difíceis de resolver. Ao contrário, se forem enfrentados com bom humor, já estão meio resolvidos.

Ter bom humor é ver leveza onde a vida parece pesada, é ver alegria onde a vida parece triste, é ver graça onde a vida parece séria, é ver doçura onde a vida parece amarga, é ver sorrisos onde a vida parece rancor, ver amor onde a vida parece só ódio. Ter bom humor é, principalmente, deixar o riso acontecer onde o choro parece querer imperar. A pessoa bem-humorada vive de maneira mais leve, cultiva atitudes de cortesia, gentileza, e é hábil em contagiar emoções positivas, transmitindo serenidade e esperança.

A arte de saber rir

Saber rir das situações menos agradáveis liberta-nos de ficar eternamente presos a elas. Saber rir de nós mesmos é o primeiro passo para nos libertarmos das formas de viver inadequadas e encontrar formas melhores, mais gratificantes. Como podemos comprovar, sorrir e estar de bom humor é algo tão fácil que nem sempre é cultivado com a importância que lhe é merecida, desprezando-se uma importante chave de renovação de energias que favorecem muitas outras conquistas no campo pessoal e profissional e que podem contagiar positivamente os outros.

Dizem que a distância mais curta entre as duas pessoas é o humor. Por isso é que o humor é um aspeto poderoso e maravilhoso da personalidade humana onde o riso é uma das válvulas de escape contra o stress criando a leveza que precisamos para desfrutar da vida em plenitude.

Kraft publicou um artigo na revista Mente e Cérebro, em que afirma categoricamente que o bom humor e o riso não apenas nos protegem das doenças físicas e psíquicas, mas também podem curá-las. Para ele, encarar a vida com bom humor fortalece a mente e o corpo, tornando-nos mais aptos para enfrentar situações de crise. O autor cita vários filósofos, como Kant e Aristóteles, para reforçar a ideia do uso terapêutico do riso. Para Kant, apenas três coisas podem realmente fortalecer o homem contra as tribulações da vida: a esperança, o sono e o riso. Para Lambert, o simples esboçar de um sorriso, ou seja, a contração de 28 músculos faciais, ativa, no centro do prazer do cérebro, a produção de serotonina e endorfina, neurotransmissores que nos dão prazer. Existem estudos que mostram que a terapia do riso diminui o tempo de internamento nas mais variadas doenças em cerca de 20 por cento dos casos. Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz.

O humor de Deus

Diz o padre Tolentino Mendonça que raramente citamos uma frase bíblica que apela à alegria e ao bom humor e, no entanto, a Bíblia é uma espécie de gramática do Humor de Deus. Por incrível que pareça, aquela biblioteca tão séria é também hilariante e está cheia de risos, embora esta dimensão seja, entre nós, escassamente referida e ensinada. Há páginas que constituem um puro alfabeto da alegria e muitos momentos que só são compreendidos por quem soltar uma gargalhada. É pena que o Cristianismo não seja propriamente conhecido por ser a religião da alegria.

O Cristianismo seria muito mais credível se os cristãos vivessem em alegria», escreveu Nietzsche, e não podemos dizer que sem razão. O Evangelho é um convite insistente à alegria. Porque deveríamos ser ou fazer o contrário? Devemos fazer da alegria e do bom humor a principal motivação de nossas vidas; uma qualidade espiritual, que vem da alma e se manifesta nas nossas atitudes, refletindo-se na nossa personalidade.

O bom humor do papa

O Papa Francisco cultiva o humor em quase todas as suas intervenções, e quebra o gelo inicial em diversas reuniões, encontros e entrevistas. Tem uma alegria contagiante. Ele escolheu precisamente esse tema para a sua primeira exortação apostólica: A Alegria do Evangelho.

 

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Por: Abel Dias

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