Os atos terroristas em França, na Nigéria, no Médio Oriente… por fundamentalistas islâmicos foram de uma barbaridade extrema e deixaram-nos em estado de choque. Assistimos a um crescendo da intolerância.
A intolerância é um mal que se torna terreno fértil para a violência, o terrorismo, a xenofobia, a homofobia, o fundamentalismo religioso, entre outros… Os ataques e o crescendo da intolerância levantam discussões sobre problemas globais que atingem indivíduos isoladamente ou mesmo populações inteiras. O mundo reagiu com diversas manifestações, contra e a favor da liberdade e da tolerância.
Etimologia
A palavra «tolerância» provém da termo latino tolerare, que significa «suportar, sofrer, manter, persistir, resistir e combater».
Em termos individuais, a tolerância define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, religiosa, civil ou física e corresponde à capacidade de persistir nas nossas opiniões suportando a diversidade.
Do ponto de vista da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo.
Tolerância ao longo da história
A tolerância teve originariamente um sentido negativo, consistindo na atitude de suportar o que se considera errado ou desagradável. Na Antiguidade, com o filósofo Cícero, a tolerância não se referia a uma realidade física, mas evocava uma dimensão moral – a paciência direcionada a qualquer coisa negativa; na Idade Média, com S. Tomás de Aquino, a tolerância era considerada apenas como uma atitude de transição para o acesso desejável a valores superiores; finalmente na Modernidade, com Espinosa, a tolerância é entendida como a atitude de suportar as diferentes crenças religiosas. É apenas com Locke, já no século xvii, que a tolerância ganha uma conotação positiva, como «resistência ao que é adverso», sendo uma condição para o pluralismo de ideias, motor do desenvolvimento das sociedades; na conceção contemporânea, ela é a atitude pessoal e comunitária de aceitar valores diferentes dos adotados pelo grupo de pertença original.
Tolerar não é aceitar tudo
A tolerância não significa aceitar todas as práticas e opiniões. Pelo contrário, o seu valor assenta no facto de promover uma maior consciência e respeito pelos direitos humanos universais e liberdades fundamentais. Ninguém pensa, por exemplo, que se deve tolerar o roubo, a violação ou o assassínio. A tolerância – como a liberdade – deve ter limites. A verdadeira tolerância assenta numa firmeza de princípios, que se opõe à exclusão indevida do diferente.
A tolerância também não é uma atitude de simples neutralidade ou de indiferença. É uma posição resoluta que faz sentido quando se opõe ao seu limite, que é o intolerável. Os limites da tolerância residem em primeiro lugar na não aceitação da intolerância, nem das relações de exploração entre classes e grupos sociais desfavorecidos. Sem limites, a tolerância seria a própria negação. O dilema dos limites da tolerância pode resumir-se em dois princípios: «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» e «não deixes que te façam o que não farias a outrem».
Tolerância é respeito
A tolerância é uma atitude de respeito aos pontos de vista dos outros e de compreensão para com suas eventuais fraquezas. A tolerância é a base do respeito mútuo entre as pessoas e comunidades, e é essencial para construir uma sociedade mundial unida em torno de valores comuns. É uma virtude e uma qualidade, mas, acima de tudo, a tolerância é um ato – o ato de se aproximar dos outros e ver as diferenças não como barreiras, mas como um convite ao diálogo e à compreensão. A tolerância é uma parte da resposta a estes desafios, ao permitir construir pontes entre as pessoas e abrir canais de comunicação. Viver a tolerância pode contribuir para resolver muitos conflitos e para erradicar muitas violências.
Viver e ensinar a tolerância
A tolerância não deve ser vista como um dado adquirido. Ela deve ser ensinada, incentivada e transmitida. Temos de renovar o nosso compromisso de trabalhar pelo diálogo e a compreensão entre todas as pessoas e comunidades, e assegurarmos que aqueles que sofrem de discriminação e marginalização estejam presentes nas nossas orações, mentes e corações. Uma humanidade unida significa vivermos e trabalharmos juntos, com base no respeito mútuo e para a riqueza que nos traz a diversidade humana. Tolerar é bom, mas respeitar é melhor. Respeitar é bom, mas amar é melhor.
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