Os dias atuais são marcados por várias crises que nos expõem e criam sentimentos de vulnerabilidade. Sentimo-nos desprotegidos perante os repetidos e constantes ataques sociais, culturais, económicos, fiscais, religiosos…
É altura de perguntarmos: quem nos protege ou quem nos poderá proteger? Repetimos as palavras do salmista: «Levanto os meus olhos para os montes: donde me virá o auxílio?» (Salmo 121) A resposta só poderá ser também a do salmista: «O meu auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra. […] O Senhor é quem te guarda, o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo. […] O Senhor vela pela tua vida. […] Ele te protege quando vais e quando vens agora e para sempre.»
Etimologia
A palavra «proteção» vem do latim pro e tegere, que significa, literalmente, «cobrir», «tapar (tegere) na frente (pro)». Será, assim, o ato ou efeito de proteger, amparar ou preservar, a dedicação pessoal àquilo que precisa de auxílio. Poderemos dizer que a proteção é a garantia de inclusão e abrigo a todos as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade e/ou em situação de risco. A proteção poderá assumir várias vertentes, mas, fundamentalmente, proteger significa prevenir e amparar as pessoas que correm riscos decorrentes das mais variadas situações, tais como a pobreza, a saúde, a fragilização de vínculos afetivos/relacionais, a discriminação, a guerra, a escravidão, o analfabetismo, etc.
O Papa e a proteção
O Papa Francisco tem, por várias vezes, chamado à atenção para a necessidade de cuidarmos e valorizarmos a proteção. Logo no início do seu pontificado o papa pediu «respeito por toda a criatura de Deus», «pelo ambiente onde vivemos» e apelou a que se «proteja carinhosamente» todas as pessoas, «especialmente as crianças, os idosos, aqueles que são mais frágeis». Dirigiu este pedido essencialmente a quem exerce cargos de poder: «Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos “guardiões” da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo. […] Quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido.»
Esta preocupação claramente ambiental não é restritiva, mas abrangente, baseando-se naquilo a que Bento XVI já tinha chamado ecologia humana, ou seja, uma preocupação ecológica que tem o homem no seu centro. Na opinião do papa, «proteger a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança».
Guardiões do outro
No primeiro aniversário do início oficial do seu pontificado, na audiência geral, o papa voltou a retomar o tema da proteção, apontando S. José como modelo de proteção, de guardião: «Olhemos para José, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento “em sabedoria, idade e graça”.» O papa apresentou S. José como modelo do verdadeiro guardião e protetor, aquele que auxilia o crescimento e o desenvolvimento sadio do outro.
Proteger os mais frágeis
Recentemente, na visita à Terra Santa, o papa apelou uma vez mais à proteção dos mais frágeis, salientando, em particular, as crianças. No lugar onde nasceu Jesus, o papa chamou à atenção para a necessidade de proteger as crianças: «Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.» Talvez seja essa a razão que levou o papa a criar uma comissão para a proteção das crianças.
A proteção da nuvem
Durante a travessia do deserto o povo de Israel acreditou que uma nuvem os protegia. Não era uma nuvem qualquer, era a presença protetora de Deus. A nuvem era o símbolo real dessa presença divina. A nuvem protegia-os das adversidades do deserto que atravessavam, dando sombra e frescor. A nuvem também os orientava, colocavam os seus olhos fixos na nuvem, esperando o seu mover para poderem prosseguir. E, quando a nuvem parava, o povo acampava para descansar debaixo da sua sombra. Eis o desafio para também nós nos colocarmos debaixo da nuvem de Deus durante estes tempos difíceis e conturbados. Debaixo da nuvem, há proteção, há segurança, há esperança, há um Deus que tudo pode fazer, basta confiarmos Nele, basta descansarmos Nele.
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