O VALOR DA INTIMIDADE

Janeiro 2014 / Valores de sempre

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Existe uma zona profunda no íntimo de cada um de nós, que deve ser preservada, visto tratar-se do nosso tesouro sentimental: a intimidade. Ela é um valor muito apreciado, mas também muito maltratado na sociedade.

A palavra «Intimidade» deriva do termo latim intimus, que significa «interior», «íntimo», «oculto», «o que está nas entranhas». Tem um conceito de segredo, confiança, interior, e refere-se ao que está dentro, ao que atua no interior.
Intimidade, como tal, é um conhecimento privilegiado do que é revelado na privacidade de uma relação interpessoal, enquanto normalmente é ocultado perante o público. Trata-se de um mundo interior onde habitam e se escondem os sentimentos, desejos, sonhos, pensamentos, alegrias e sofrimentos, anseios ou vergonhas, atos ou omissões… e que são o que há de mais nosso e só nosso.
A intimidade situa-se no núcleo oculto de cada pessoa onde se tomam as decisões mais profundas e próprias. É o que podemos chamar de «lugar sagrado» (santuário), que cada pessoa possui. Aliás, é a existência desta interioridade que nos possibilita sentirmo-nos pessoas. Assim, criar intimidade é gerar um elo, um contacto, uma tensão, um movimento consigo mesmo ou com o outro. Uma ligação entre o interior e o exterior, entre o passado e o presente, é propiciar proximidade e cumplicidade, sem esquecer que todos precisamos de processos de abertura e de fechamento que protejam a nossa interioridade.

INTIMIDADE COM OS OUTROS
Apesar de a intimidade ser algo muito nosso, há pessoas com quem nos sentimos à vontade para a partilhar. No entanto, uma relação íntima entre duas pessoas exige a capacidade de se ser independente ou de ter um adequado nível de diferenciação, de confiança mútua e um nível adequado de amor-própio. Assim, a intimidade sã deve basear-se numa forte autonomia individual, em que aceder à intimidade significa, simultaneamente, pôr-se na pele do outro sem perder a noção da própria identidade e receber o outro no seu próprio território íntimo sem se sentir invadido. O amigo mais íntimo é aquele que sabe tudo a nosso respeito visto partilhar o mais sagrado que temos – a intimidade. Este amigo mais íntimo é aquele em que sempre pensamos quando vamos fazer alguma coisa, ou tomamos uma decisão difícil.

INTIMIDADE E REDES SOCIAS
Uma das maiores ameaças que pesam atualmente sobre o indivíduo é a invasão dessa zona íntima e pessoal. O homem é um devorador gigantesco de segredos e intimidades. Gosta de penetrar nessas regiões desconhecidas, descobrir o lado obscuro e misterioso das pessoas, divulgar o que ninguém sabe. Prova disso são certos tipos de reality shows, certas revistas e jornais sensacionalistas que expõem sistematicamente e quotidianamente a vida das personalidades. As informações disponibilizadas na Internet, muitas vezes, fornecidas ingenuamente pelo próprio usuário, circulam de forma irrestrita pela Rede. Assistimos, por um lado, à impressionante exposição exagerada da intimidade e privacidade das pessoas e por outro à sua progressiva invasão e violação. As fronteiras da nossa intimidade devem estar constantemente vigiadas e só devem permitir a entrada, se alguma vez a concederem, àqueles a quem desejamos abrir a nossa própria intimidade. Ninguém tem o direito de exigir este convite e qualquer tentativa de buscar conhecer e penetrar sem licença prévia será uma profanação do nosso santuário, que é a intimidade. Perante isso torna-se urgente e fundamental refletirmos sobre o que significa a valorização das nossas singularidades e o cuidado e respeito pela da nossa intimidade, assim como avaliar as vulnerabilidades e as fragilidades de um uso irresponsável desses meios.

INTIMIDADE COM DEUS
Por mais íntimos que sejamos connosco ou com os outros isso não satisfaz a ânsia de sermos íntimos com Deus. Ter intimidade com Deus é gozar de um relacionamento profundo, intrínseco e puro com Ele. Ele conhece tudo que se passa nos nossos corações e mentes, conhece as nossas necessidades e fraquezas, sabe o que está certo e o que está errado. É impressionante saber que Deus já tinha intimidade connosco, antes de nós buscarmos uma intimidade com Ele: Deus criou-nos, conhece a nossa estrutura e sabe o que é melhor para nós em qualquer momento da nossa vida. Deus é omnisciente, ou seja, Ele sabe tudo e nada está oculto aos seus olhos, por isso não podemos esconder-nos de Deus, ou ocultar qualquer coisa perante os Seus olhos. É através do nosso espírito que Deus mantém comunhão connosco e partilha a intimidade no mais profundo do nosso ser. Para ter intimidade com Deus é preciso aprender a ser dependente de Deus. E depender do Senhor é compreender que a vontade Dele prevalece sobre a minha, que o tempo do Senhor é diferente do tempo que desejo, que os pensamentos do Senhor são mais altos que os meus pensamentos, que ele é Pai e eu sou seu filho por adoção. Assim, a oração é a forma mais bonita de iniciarmos, alimentarmos e crescermos na intimidade com Deus.

 

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Por: Abel Dias

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