O valor da fidelidade

Maio 2015 / Valores de sempre

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Os tempos modernos expõem-nos a diversas circunstâncias nas quais é constantemente posta à prova a nossa capacidade de sermos fiéis.

Ser fiel nos dias de hoje não é tarefa fácil, sobretudo num mundo sempre em constante mudança que faz com que as nossas escolhas e compromissos também sofram pressão para mudar. Vive-se intensamente o momento presente, mas tem-se dificuldade em manter viva a intensidade nos compromissos e nas escolhas.

A palavra «fidelidade» tem origem no termo latino fidelis, que significa «atitude de quem é fiel», de quem tem compromisso com aquilo que assume. A fidelidade é um hábito bom, uma atividade voluntária e permanente, uma força que inclina a cumprir com sinceridade e valentia os compromissos adquiridos, as promessas feitas e a palavra dada. Pode-se defini-la como a adesão voluntária, prática e completa de uma pessoa a uma causa. No campo das relações a fidelidade é o íntimo compromisso que assumimos de cultivar, proteger e enriquecer a relação com outra pessoa, respeitando a sua dignidade e integridade, e garantindo uma relação estável, num ambiente seguro e confiável, o desenvolvimento integral e harmonioso das pessoas.

Ser fiel num mundo infiel

A expressão inglesa wireless fidelity (Wi-Fi), que significa «fidelidade sem fio», é uma tecnologia que permite o acesso à internet garantindo que o que é reproduzido é fiel ao original. É também um termo designado para qualificar aparelhos de som com áudio mais confiável e igual ao original.

O mundo em que vivemos perdeu o sentido de fidelidade. A capacidade de se comprometer é cada vez mais vulnerável, pois o mundo do prazer instantâneo introduz ruído e rouba a capacidade do sacrifício e da disciplina, necessários para se honrarem os compromissos. Além disso, propaga-se cada vez mais a irreverência, que é negar a reverência a tudo que é tradicionalmente bom e correto. Daí a necessidade de recuperarmos a capacidade de ser fiéis ao património ético e moral que nos foi legado.

Causa, compromisso e liberdade são três palavras diretamente relacionadas com o conceito de fidelidade: a fidelidade pressupõe uma causa a ser fiel; o compromisso com essa causa e a liberdade de se comprometer. Sem estas três palavras, a fidelidade não existe. A pessoa fiel não se limita a seguir os próprios impulsos, mas a viver, de forma livre e generosa, valores que ultrapassam a temporalidade da pessoa. A pessoa fiel encontrou a melhor expressão do amor e por isso é feliz com as exigências que a sua fidelidade lhe impõem.

Fidelidade na Bíblia

Na Bíblia, fidelidade é o cumprimento de tudo quanto foi estabelecido na aliança firmada entre Deus e a humanidade. A causa da fidelidade é sempre o amor de Deus: amor infinito, amor imenso no qual nunca encontraremos um espaço que nos permita ser infiel. A fidelidade nasce assim da gratidão do amor de Deus. O nosso compromisso consiste em retribuir esse amor. A fidelidade a Deus não pode ser abstrata ou desencarnada, mas terá de estar implicada na nossa vida quotidiana. Assim o compromisso com a vida, os valores morais e éticos, o civismo, a justiça social, a dignidade no trabalho, a santidade da família, o respeito aos irmãos e, sobretudo, o louvor a Deus, através da religião, dá verdadeiro significado à fidelidade a Deus. A fidelidade é um dos aspetos essenciais do carácter cristão, e não é uma tentativa de o homem se tornar bom aos olhos das pessoas. Antes, é uma essência que só podemos obter a partir de uma conversão genuína a Cristo, onde o Espírito Santo se faz presente dando-nos o sentido necessário para todas as áreas da nossa vida. Só assim conseguimos ser fiéis: é impossível conseguirmos o exercício da plena fidelidade à Deus sem a intervenção direta do Espírito Santo.

A alegria de ser fiel

Tudo andaria bem melhor e seríamos muito mais felizes se nos propuséssemos conhecer sempre mais a fundo, para podermos amar mais, essas verdades e essas pessoas às quais nos vinculamos com laços de responsabilidade permanente. Refletir sobre os deveres próprios, sobre as circunstâncias que afetam a nossa vida e a paz dos outros, meditar nas consequências do nosso comportamento, avaliar o mal que a infidelidade pode causar, é a primeira garantia de fidelidade. Na formação para a fidelidade, deve-se insistir em que sempre se pode ir mais longe, ser mais fiel. Se queremos ser alguma coisa, não nos devemos deter diante dos estreitos limites do nosso mundo pessoal, encerrar nos nossos egoísmos e comodidades. Impõe-se procurar continuamente um ideal mais elevado, abrir horizontes e aspirar a aventuras audazes.

Não haverá fidelidade, diz o papa, «se não houver na raiz esta busca ardente, paciente e generosa, se não estiver alojada no coração do homem uma pergunta para a qual só Deus tem a resposta, ou melhor, só Deus é a resposta».

 

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Por: Abel Dias

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