O Poder da educação

Outubro 2015 / Gente Pequena

Conheci Nyuol em 2005. Era, então, um estudante de 13 anos da escola que nós, Missionários Combonianos, temos no Cairo, capital do Egito. É uma escola para os refugiados que fugiram da guerra no Sudão do Sul.

A marcha de Nyuol foi longa e cheia de dificuldades. Desde a sua terra no Sudão do Sul até ao Cairo, capital do Egito, percorreu três mil quilómetros.

O seu pai acabava de escapar da prisão, onde estava por ser membro do exército rebelde que lutava contra o Governo. Uma patrulha do Exército governamental chegou à casa de Nyuol à procura do seu pai. Mas só encontraram este menino que, na altura, tinha 4 anos, e as armas do seu pai. Os soldados, desiludidos por não poderem levar a pessoa que iam buscar, apanharam as armas, atiraram-nas a uma vala, e também ao pequeno Nyuol. Depois, acenderam uma tocha para fazer explodir as munições e, com elas, o filho de quem procuravam. A sua mãe e as suas irmãs assistiam, impotentes, à distância, escondidas debaixo de uma árvore mangueira. Felizmente, apenas uma das balas roçou a cara da criança, deixando-lhe uma cicatriz que ainda hoje pode ser vista.

Depois deste acontecimento, a mãe de Nyuol procurou refúgio com os seus filhos em Cartum, a capital do Sudão. A vida deles naquela cidade era muito difícil. E, então, a sua mãe decidiu prolongar a viagem da família por mais mil e quinhentos quilómetros, para o norte de África. Foi desta forma que chegaram ao Cairo, quando Nyuol tinha 11 anos e, logo de seguida, se matriculou na escola dirigida pelos Missionários Combonianos.

Devorador de livros

Aos 13 anos, ele devorava os livros com avidez. Tinha uma sede assombrosa de aprender e de recuperar o tempo perdido da sua educação. Enquanto os outros alunos passavam a tarde e noite a ver televisão ou a jogar futebol, Nyuol preferia mergulhar na leitura na biblioteca do bairro.

Em 2005 – tinha ele 13 anos –, um professor da Universidade Americana do Cairo organizou um curso de escrita com as crianças refugiadas. Nyuol ganhou o primeiro prémio e o professor ofereceu-lhe uma bolsa de estudo para concluir o ensino secundário nos Estados Unidos.

O problema era que a família de Nyuol não possuía autorização de residência no Egito, o que a impedia de obter um visto para entrar nos Estados Unidos. Nyuol veio ter comigo. Disse-me que eu tinha de resolver-lhe aquele problema, porque Deus tinha-lhe dado dons intelectuais excecionais, que ele queria usar para servir o seu povo no Sudão do Sul.

A aventura americana

Na América, Nyuol, estudou Filosofia na Universidade de Duke. Tornou-se tão popular, que criou com alguns colegas de classe e professores uma fundação destinada a arrecadar fundos para construir escolas no Sul do Sudão.

Por: Jorge Naranjo

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