O Pantera Negra

Fevereiro 2014 / Tela Encantada

Um desportista é, em regra, isso mesmo: uma pessoa que pratica desporto. Pode até ser o melhor do mundo, de todos os tempos, em determinada modalidade, mas não deixa de ser um ciclista, um tenista, um pugilista, etc. Talvez esta seja uma forma leve de ver as coisas. Mas mesmo que não fosse, acontece por vezes que o brilho de um desportista se faz notar fora da pista, do court, do ringue. Assim aconteceu com Eusébio da Silva Ferreira, um moçambicano, de berço humilde, que se tornou rei.

 Uma equipa, vários jogadores

O futebol tem origens muito remotas, que alguns levam ao tempo da Grécia antiga ou Roma. Contudo, em moldes aproximados aos que hoje conhecemos, terá nascido em Inglaterra. Neste país, em meados do século xix, foi elaborado o primeiro código de regras do jogo. O que se seguiu, com mais ou menos pormenor, é conhecido de todos.

Por se tratar de um desporto de equipa, o futebol é, em certa medida, um espelho da vida. Nele podemos encontrar rivalidades, paixões, vaidades, guerras e batalhas, estratégia, método, trabalho, interajuda, solidariedade, lealdade. Há jogadores que são trabalhadores, outros que são estrelas, uns mais discretos, outros mais cintilantes. Todos, porém, são essenciais a um onze de qualidade. Nenhuma equipa pode ou deve ter só Ronaldos. Nem é possível nem seria conveniente. Em primeiro lugar, não há Ronaldos suficientes. Depois porque o equilíbrio só se consegue através da variedade. No futebol, como na vida, uma equipa vencedora é constituída por vários tipos de jogadores, sendo o êxito alcançado quando cada qual desempenha com seriedade a sua função e sente que pertence a um conjunto maior e mais importante.

 Eusébio, o rei

Se no futebol podemos, em certa medida, contemplar a vida, então o melhor jogador de todos os tempos teria de reunir várias e muito distintas qualidades. Teria de ser um atleta, tecnicamente evoluído, rápido, com inteligência tática, exímio com os pés e com a cabeça. Mas não só. Teria igualmente de ser alguém capaz de colocar a equipa à frente do seu êxito, solidário com os colegas, capaz de respeitar as suas debilidades e de lhes transmitir confiança. Pedia-se-lhe ainda que honrasse o adversário, que cumprisse as regras do jogo, enfim, que personificasse o fair-play. Finalmente, este superjogador seria humilde.

Eusébio, o menino moçambicano que nasceu no bairro de Mafalala, terá, eventualmente, reunido todas estas características. Se o futebol não for só um jogo, então Eusébio foi seguramente o melhor jogador de todos os tempos, superando Pelé, Maradona, Ronaldo e Messi. Por isso foi grande a perda com que abrimos 2014. Mas a memória tudo mantém.    

A eficiência e a competência são virtudes, é certo. Mas são-no apenas entre outras. Devemos sempre lembrar que não foram somente os inúmeros golos nem as fabulosas jogadas que coroaram Eusébio. Foram também, ou sobretudo, a sua bondade e simplicidade.

O futebol, desporto-rei, perdeu o seu King.

Assiste ao filme

Encontras os melhores momentos de Eusébio no Youtube:

http://youtu.be/U49j7ZHxC6c

Por: João Martins

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