O futuro dos empregos verdes

Janeiro 2015 / Ciência

Pelas contas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), vem aí, nos próximos anos e nas próximas décadas, uma economia mais verde (amiga do ambiente) que vai trazer consigo uma série de novos empregos também eles mais verdes.

 

Há um complexo desportivo na cidade de Oxaca de Juárez, no México, que é um exemplo de um edifício que faz bem ao planeta. E isso por vários motivos, todos eles relacionados com a poupança de recursos e de energia. Os materiais, por exemplo, foram usados numa sábia mistura entre os tradicionais e os modernos: as paredes são de adobe, de pedra e de cimento e os telhados incorporam bambu, madeiras e metal, e as coisas estão feitas de tal maneira, com painéis solares no telhado e a captação das águas do rio que passa perto, que o consumo de energia é exemplarmente baixo e há um reaproveitamento de água utilizada.

Não admira que o edifício, que foi projetado e concebido com a participação do jovem arquiteto português João Boto Caeiro, tenha ganhado três prémios no CEMEX, um concurso do México que todos os anos distingue as melhores construções daquele país e do mundo. O prémio de sustentabilidade, tanto o mexicano, como o internacional, foram para aquele edifício, bem como o prémio cultura, e a equipa de arquitetos que o concebeu, incluindo o jovem português, estão de parabéns.

A que propósito vem esta história? Bem, a experiência de João Boto Caeiro mostra que a arquitetura já é nesta altura uma das atividades humanas em que a ideia de que é necessário preservar o ambiente e os recursos da Terra ganhou o seu espaço próprio – há um número crescente de edifícios que são verdadeiros hinos a uma utilização mais contida e racional dos recursos do planeta, sem pôr em causa nem a casa comum que ele é, nem a possibilidade de os humanos o habitarem com dignidade e alegria.

Por todo o mundo começa a existir essa nova consciência e os edifícios inteligentes (que poupam energia e recursos) e, por isso mesmo amigos do ambiente, já são construídos em maior número – os prémios como o CEMEX, e outros, também são, não só um incentivo, mas também a prova dessa nova realidade.

Mas esta não é uma tendência exclusiva da arquitetura e, pelas contas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), vem aí, nos próximos anos e nas próximas décadas, uma economia mais verde (amiga do ambiente) que vai trazer consigo uma série de novos empregos também eles mais verdes: na arquitetura e na construção e engenharia, mas também na biotecnologia, biologia, agronomia, na comunicação e até no direito, com a emergência de novas legislações relacionadas com o ambiente, que vão exigir advogados e juristas especializados.

 

Fiquem atentos: o futuro é vosso

Ao longo dos próximos meses vamos olhar para esta nova realidade dos empregos verdes e considerar cada um deles em pormenor. Aprofundaremos histórias de biólogos que se dedicam ao estudo das espécies para melhor as preservar e de engenheiros que estão a inventar as novas tecnologias não poluidoras e mais sustentáveis, ou ainda de agricultores que escolheram fazer uma agricultura mais sustentável e menos lesiva dos solos ou da água que precisam de utilizar.

Quem sabe, algum desses casos, como o do jovem arquiteto português João Boto Caeiro premiado no México pela sua construção sustentável, pode tornar-se uma inspiração. Fiquem atentos. Vêm aí muitas histórias.

Por: Maria Filomena Silva

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