O bom conselho é dado

Outubro 2016 / Valores de sempre

De janeiro a julho, analisámos as obras de misericórdia corporais. Começamos este mês a refletir sobre as obras de misericórdia espirituais. Dar bons conselhos a quem hesita ou duvida e por isso se sente dividido é a primeira obra de misericórdia espiritual.

 

A arte de aconselhar

Todos nós passámos por momentos em que sentimos necessidade de pedir conselho a alguém. Outras vezes, somos chamados a dar conselhos àqueles que nos são próximos ou que estão ao nosso lado. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma luz, um sentido, um significado para decisões importantes e que nos deixam indecisos ou confusos. Sabemos como é importante nos momentos mais delicados da nossa vida poder contar com conselhos de pessoas sábias e que nos amam.

O conselho é uma ajuda concreta por parte de quem compreende as dificuldades e as dúvidas do outro em lidar com os seus sentimentos, opções e decisões de vida. Aconselhar é, antes de mais, olhar para o outro como um irmão e (re)descobrir a necessidade de dar sentido, esperança, orientação e plenitude à sua vida. Ao bom conselheiro pede-se capacidade de compreender a situação do outro, imaginação, uma grande dose de humildade e um elevado grau de confiança.

Não é preciso ser perito em matérias complicadas para dar um parecer sobre um problema. Só é preciso ter amor à pessoa a quem aconselhamos. Na relação entre as pessoas, há muitas formas de aconselhar, porém, o essencial está em saber fazê-lo, para que as atitudes das pessoas, ajudadas por um conselho, encontrem benefício na decisão que estão a tomar.

 

O melhor conselheiro

Por meio do conselho é o próprio Deus, com o seu Espírito, que ilumina o nosso coração, fazendo com que compreendamos o modo justo de falar e de nos comportarmos, e o caminho que devemos seguir.

O Espírito Santo é o melhor conselheiro: quando O recebemos e O deixamos atuar, Ele começa imediatamente a tornar-nos sensíveis à sua voz e a orientar os nossos pensamentos, sentimentos e intenções segundo o coração de Deus. Ao mesmo tempo e progressivamente, O Espírito Santo dirige o nosso olhar interior para Jesus, modelo do nosso modo de agir e de nos relacionarmos com Deus Pai e com os nossos irmãos. Portanto, o conselho é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e do seu Evangelho. Neste contexto, um conselheiro é uma pessoa aberta à ação do Espírito Santo que o leva a sentir empatia pelo outro, a escutar o outro em profundidade, a apreender as suas potencialidades e debilidades, podendo assim ajudar a entrever a melhor opção para o seu irmão em Cristo, disse o Papa Francisco na catequese de 7 de maio de 2014.

É mediante a oração que ficamos sensíveis ao Espírito Santo, que atua em nós e nos aconselha sobre o que devemos fazer e dizer. Na intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, começamos a abandonar a nossa lógica pessoal, ditada muitas vezes pelos nossos medos, preconceitos e ambições, e podemos experimentar as palavras de Jesus apresentadas no Evangelho de Mateus: «Não vos preocupeis com o que haveis de falar nem com o que haveis de dizer; ser-vos-á inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, é o Espírito do vosso Pai que falará por vós.»

O Senhor fala-nos, também, pela voz e o testemunho dos outros. É um dom poder contar com homens e mulheres de fé que, sobretudo nos momentos mais complicados e importantes da nossa vida, nos ajudam a iluminar o nosso coração e a reconhecer a vontade de Deus!

 

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Por: Audácia

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