No fim, comem-se as colheres

Maio 2016 / Ciência

A receita é simples. Junte-se uma mistura de farinha, feita de grãos de milho-miúdo, de arroz e de trigo, água e sabores – doce ou picante, consoante o resultado pretendido –, e já está. É um bolo? Uma massa rápida para pastéis? Pão? Nada disso. Estes são os talheres comestíveis inventados pelo químico indiano Narayana Peesapathy, que um dia se cansou de tanto lixo de talheres de plástico por todo o lado e decidiu fazer qualquer coisa. Foi então que se lembrou de fazer talheres comestíveis. Não usa corantes nem conservantes e, como a produção do milho-miúdo – ou milho-painço – requer muito menos água do que os outros cereais (cerca de 60 % menos), também aí ele poupa muito o ambiente. E, uma vez terminada a refeição, comem-se também os talheres – se ainda houver espaço para isso, claro.

Mesmo que não se comam, explica Narayana, estes talheres feitos de cereais e água não representam nenhum risco de poluir o ambiente, porque se degradam rapidamente, em cinco ou seis dias, no máximo. Na pior das hipóteses, podem acabar num montão de migalhas dispersas e disputadas pelos pássaros.

Já os talheres de plástico duram e duram, e duram. Na verdade, a sua degradação, se não houver qualquer tratamento de reciclagem, leva em média 500 anos, ou seja, meio milénio! Imaginem só isto: se Vasco da Gama tivesse levado talheres de plástico para comer as suas refeições durante a sua famosa viagem marítima para a Índia, só agora esses talheres estariam a desfazer-se definitivamente. Dá que pensar, não?

«Os nossos talheres são tudo isto: saborosos, divertidos, nutritivos e amigos do ambiente», explica Narayana, sublinhando que tem tido muito boa aceitação por parte das pessoas. Muitas vezes, diz ele, as pessoas querem fazer qualquer coisa pelo ambiente, mas não sabem como. Com os seus talheres, Narayana fornece a solução para um problema que só na Índia representa 120 milhões de peças de plástico atiradas para o lixo em cada ano.

Estes talheres aguçaram-vos a curiosidade? Então espreitem a página da Internet da empresa social que Narayana criou, a Bakeys, em http://www.bakeys.com, onde ele explica a sua filosofia e também vende as suas colheres.

Para quem vai de piquenique ou está em maré de festa e não lhe apetece estar com trabalho, comer também os talheres, ou dá-los a comer desfeitos em pequenos pedaços aos passarinhos, pode ser a melhor solução. Além do mais, não digam que não, também é divertido.

 

O Dia Internacional da Reciclagem

E quando comer os talheres não é opção, o que se aplica aliás a todos os outros materiais, de plástico ou não, então a reciclagem é o destino preferível para todo esse amontoado de lixo poluente. Para lembrar a importância de reciclar esses resíduos (e deixar na memória coletiva a ideia dos três rr – reduzir, reutilizar e reciclar) foi criado o Dia Internacional da Reciclagem, que se comemora no dia 17 deste mês de maio. Embora a história da criação deste dia não seja muito clara, ele é uma excelente oportunidade para relembrar um dos grandes problemas do século xxi, a que é preciso dar resposta. Narayana Peesapathy, por exemplo, não precisou que lhe mostrassem uma solução. Ele próprio criou uma.

Por: Maria Filomena Silva

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