Natal de paz

Dezembro 2014 / Bíblia-app

O Natal costuma ser tido como uma época de paz e harmonia. Infelizmente, não em todo o lado… Às vezes, nem nas próprias famílias. Mas a luz de esperança que Jesus veio trazer ao mundo não pode desaparecer, sob pena de se apagar o Natal!

 

Matilde e os seus educandos estão muito animados. A paróquia inteira anda atarefada para que as emoções da quadra natalícia cheguem a todos, sem exceção. Inês, Joel, Cristina e Filipe preparam, juntamente com os outros grupos de catequese, uma peça de teatro. O objetivo é tornar o nascimento de Jesus muito real, tal como terá sido visto, sentido e vivido pelos vários intervenientes.

Assim, quiseram representar a ternura (Maria e José), a presença dos marginalizados (os pastores), a procura incessante e crítica da verdade (os magos) e a abertura ecológica (o burro e a vaca). Neste espírito, decidiram que Joel fazia de pastor, Inês, de Maria, Filipe, de mago, e Cristina, de vaquinha. Outros colegas colaborariam e até o irmãozinho de poucos meses da Mariana, do primeiro ano, interpretaria Jesus Menino, a dormir tranquilamente nas palhinhas.

Vestidos a rigor, iriam para cena de tablet na mão, a fim de interrogarem as personagens verdadeiras que retratavam. Com a vantagem de estas conhecerem bem a realidade atual e poderem dar respostas adequadas às situações que o mundo de hoje vive.

O grande dia chegou! Entre correrias de última hora, lá fica tudo pronto e sobem ao palco.

O narrador principia:

– «José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da linhagem de David, para aí se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 1-7).

Ao ouvir estas palavras, Inês, muito compenetrada da sua função, agarra no bebé e coloca-o no centro do cenário, à vista da plateia. A ele, seria difícil fazer perguntas, mas as respostas (de Jesus) já foram todas dadas e estão escritas nos Evangelhos…

O narrador continua:

– «Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles, e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor”» (Lc 2, 8-11).

– Os pastores eram muito malvistos naquele tempo e ninguém queria estar com eles – explica Matilde à assembleia. – Vamos saber o que esperavam eles deste Messias acabado de nascer.

Joel puxa da sacola onde, em vez da merenda, leva o tablet e escreve. A resposta aparece e Joel proclama com voz forte: «Se a missão de Jesus é estar ao lado daqueles que não têm lugar na sociedade, sabemos que ele está connosco quando gritamos: “Queremos viver! Queremos ser gente! Nós também somos filhos de Deus!”»

– E Maria, o que tem a dizer pela paz? – vocifera Inês, numa voz bem projetada. O tablet devolve a resposta de Maria: «As pessoas não comunicam e, por isso, têm medo umas das outras. Depois, recorrem à violência para afugentar esse medo. Mas ele só se desvanece ante o cuidado de uns pelos outros, ou seja, o amor que o meu querido Filho veio ensinar ao mundo.»

– Os magos também eram figuras estranhas, e vinham de terras desconhecidas… – acrescenta Matilde.

Filipe lê o que eles dizem através da Bíblia-app:

– O encontro, o diálogo, a colaboração entre culturas e religiões são caminhos para a paz. Todos os que se consagram ao progresso da ciência e da técnica são construtores de paz, para dignificar quem nasce, quer seja palestino ou israelita, americano ou afegão, filho desta ou daquela etnia africana…

– Falta a voz da Ecologia… – completou Matilde.

Cristina, na sua roupa malhada, reproduziu:

– A globalização leva à vontade de dominar a Natureza para ter mais e mais. O segredo, contudo, não é a competição, mas sim a cooperação.

No final, todos levaram para casa uma flor de papel onde podia ler-se a frase do Papa Francisco: «A paz é um compromisso de todos os dias…»

Por: Maria Mendonça

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