Não podemos ignorar

Março 2016 / Mala da Alice

É preciso empenharmo-nos todos nesta tarefa: alcançar a igualdade de género e capacitar todas as mulheres e jovens.

 

«Vemos, ouvimos e lemos/não podemos ignorar» assim começa um dos poemas mais conhecidos de Sophia de Mello Breyner.

E, se todos o seguíssemos, as coisas tornavam-se de certeza bem mais simples. Mas acontece que, muitas vezes, mesmo que tudo nos entre pelos ouvidos e pelos olhos dentro, nós preferimos assobiar para o ar, olhar para o lado e dizer que não é nada connosco.

Mas tudo é connosco. Sempre.

E há lutas que parece não acabarem nunca. Estarão resolvidas num lugar e logo se reacendem noutro. Porque o mundo é vasto, e as pessoas têm dificuldade em aprender, e esquecem com muita facilidade.

Pode parecer-nos estranho que, neste século XXI, a luta pela igualdade das mulheres ainda continue. Mas a verdade é que ela se encontra muito longe de estar resolvida. E ainda precisa do esforço de todos.

Tanto assim que «alcançar a igualdade de género e capacitar todas as mulheres e jovens» é a quinta das 17 metas de desenvolvimento sustentável que a ONU estabeleceu… para 2030!! O que significa que tudo se encontra ainda muito longe de estar resolvido, embora nestes últimos quinze anos muito já tenha sido feito pelos direitos das mulheres em todo o mundo.

Mas ainda não chega e é preciso não baixar os braços, e empenharmo-nos todos nessa tarefa.

Sabiam que, atualmente, cerca de 250 milhões de mulheres casaram antes de terem feito 15 anos?

E que metade das mulheres tem empregos não remunerados?

E que cerca de 30 milhões de raparigas, em idade escolar, não frequentam a escola?

E que, segundo as estatísticas, de dois em dois minutos uma mulher morre por complicações relacionadas com a gravidez e o parto?

E que a violência doméstica é uma praga?

E um pouco por todo o mundo começam também a surgir organizações e empresas que não querem ficar à margem desta luta.

Muitas são empresas comerciais. Está bem, não serão completamente, completamente desinteressadas. Mas podiam, como milhentas outras, não fazer nada. E fazem.

Estou a falar-vos precisamente da Benetton (passe a publicidade, que ela nem precisa…). Já conhecíamos, por exemplo, os seus cartazes contra o racismo ou contra outro tipo de exclusão.

Pois a partir deste ano ela está empenhada naquilo que chama o seu «Programa de Emancipação da Mulher» (Women Empowerment Program), que visa dar às mulheres a possibilidade de desfrutarem de empregos dignos, com remuneração justa, em locais de trabalho adequados, com medidas sociais de apoio — assegurando ainda programas de formação, apoio familiar e a possibilidade de microcrédito e apoio financeiro.

De acordo com o programa estabelecido pela ONU, a Benetton identificou cinco prioridades:

a) Uma vida digna

b) Igualdade de oportunidades e não discriminação

c) Educação de qualidade

d) Cuidados de saúde

e) Luta contra a violência (tráfico de mulheres, exploração sexual, mutilação genital, etc.)

Nestes primeiros cinco anos, o programa vai dirigir-se às mulheres que trabalham no sector do vestuário e pronto-a-vestir — e vai implicar um investimento de dois milhões de euros.

E decerto que, um pouco por todo o mundo, vão aparecer mais organizações, mais empresas dispostas a contribuir para que a meta da ONU seja atingida.

O ano de 2030 pode parecer muito distante, mas é um engano.

O ano de 2030 é já amanhã.

Neste dia 8 de março, Dia da Mulher, vale a pena meditar um pouco nestas coisas.

Por: Alice Vieira

Deixe uma resposta