Não estou à venda

Outubro 2014 / Tela Encantada

Depois do século XVIII, desenvolveu-se um movimento político chamado abolicionismo, cujo objetivo era pôr fim à escravatura. Como sabemos, esta prática consiste, grosso modo, em um ser humano tornar-se proprietário de outro, dispondo deste, designadamente obrigando-o a trabalhar com proveito para o dono.

O abolicionismo levou algum tempo a ser bem-sucedido, mas a verdade é que hoje, em 2014, em nenhum país do mundo se permite a escravatura. Mas nunca nos devemos esquecer do seguinte: as leis, só por si, não resolvem o problema que visam regular; para que isso aconteça, é ainda necessário que sejam voluntariamente obedecidas ou que alguém obrigue a cumpri-las.

Ora, a escravatura é um ótimo exemplo do desencontro entre o dever-ser que encontramos na lei e o ser que encontramos na vida. Segundo recentes estatísticas, entre 21 e 30 milhões de pessoas são escravizadas por todo o mundo. O comércio de escravos gera cerca de 150 mil milhões de dólares por ano (pouco menos do que o PIB português). O choque aumenta quando sabemos que 26 em cada 100 pessoas escravizadas têm menos de 18 anos. São dados da ONG Free the Slaves (Libertar os Escravos), que tem esta página na Internet: www.freetheslaves.net.

Crianças vendidas por 30 euros

Vem este assunto a propósito de uma curta reportagem sobre o tráfico de crianças no Benim, um pequeno paísna costa oeste deÁfrica, que tem como título No estoy en venta. Trata-se, melhor explicando, de um pequeno documentário, em que missionários salesianos relatam os casos de escravatura de crianças com que têm deparado e do trabalho que têm feito no acolhimento destas vítimas.

Segundo o relato de um dos missionários, uma criança – como Rachidi e Jule referidos no filme – pode ser vendida no mercado por 30 euros. Mas o cenário piora. A venda é, nem sempre, mas frequentemente, realizada pelos pais das crianças. Ou seja, aqueles que deviam amá-las e protegê-las das agressões exteriores veem-nas como fonte de rendimento. Na melhor das hipóteses, estes escravos são usados em trabalhos pesados, ficando assim privados de viverem a infância que merecem, brincando e aprendendo. Mas isso é se tiverem sorte. Porque, se tiverem azar, serão vítimas de abuso sexual, sovadas, etc.

Que tenho eu que ver com isso?

Estas histórias lembram-nos como o mundo tem partes diferentes. Em Portugal, felizmente, a haver casos de autêntica escravatura, serão poucos e passageiros. Mas isso não nos deve levar a pensar que, então, estamos perante um problema de países subdesenvolvidos, quenãonos atinge. O mundo não é global só para as coisas boas. Nosso vizinho já não é apenas a pessoa que mora na casa ao lado, mas qualquer pessoa que pise a Terra.

 

Sobre o filme

Título:Não estou à venda

Realização:Missionários Salesianos

Género: Documentário

Duração: 15 minutos

Por: João Martins

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