Mulheres vencem discriminação

Março 2016 / Campeões

2016 começou com motivos de esperança para as mulheres ao nível do desporto.

 

Esta rubrica tem uma designação genérica: «Campeões». Mas, este mês, tinha de ser alterada para «Campeãs»! Para evocar o Dia Internacional da Mulher (8 de março), aqui vão exemplos de mulheres desportistas que quebraram as barreiras que sempre as tinham impedido de chegar aonde só estavam homens. A primeira homenagem é póstuma. No dia 9 de janeiro, morreu Maria Teresa Filippis, a primeira mulher a entrar numa corrida de Fórmula 1. Em 1958, a italiana participou em três Grandes Prémios, ao volante de um Maserati. Apesar disso, foi impedida de pilotar no GP França. O diretor da prova alegou que «o único capacete que uma mulher tão bonita deveria usar era o do salão de cabeleireiro».

 

Depois de Teresa Filippis, houve mais quatro mulheres a tentar a F1, mas só uma conseguiu participar. No total, a história da F1 regista quase mil pilotos: 988 homens. O automobilismo é um dos desportos mais machistas, o que valoriza vitórias como as da francesa Michèle Mouton (vice-campeã mundial de ralis em 1982), da alemã Jutta Kleinschmidt (vencedora do Rali Paris-Dakar em 2001) e da estado-unidense Danica Patrick (única a vencer uma corrida na Fórmula Indy).

Menos espetacular em termos desportivos é o feito de Selma al Majidi, treinadora do modesto Al Nasr, clube de futebol da III Divisão do Sudão. O mérito está no facto de ser a primeira mulher a treinar uma equipa muçulmana, sabendo-se a dificuldade cultural para encontrar o lugar da mulher na sociedade.

«Alguns jogadores não queriam trabalhar comigo apenas porque sou mulher. Mas com o tempo passaram a respeitar-me e ajudaram-me a salvar a equipa da descida de divisão», disse Selma ao sítio da FIFA, depois de ter sido distinguida pela BBC como uma das 100 mulheres mais inspiradoras de 2015.

 

Becky Hammon (na foto), antiga basquetebolista da WNBA (duas vezes olímpica pela Rússia), tornou-se, em 2014, a primeira treinadora adjunta a tempo inteiro de uma equipa da NBA, liga masculina de basquetebol dos Estados Unidos. A experiência foi tão boa que os San Antonio Spurs confiaram nela como treinadora principal na Liga de Verão de 2015, em Las Vegas. Resultado? Os Spurs venceram. Já não espantou que Hammon tivesse sido designada para a equipa técnica da Conferência Oeste no All-Star, em Toronto, a 14 de fevereiro.

Estes êxitos abriram portas às mulheres nas principais ligas profissionais dos EUA, onde a causa feminina teve um agradável início de ano. Depois de os Sacramento Kings (NBA) terem anunciado a contratação de Nancy Lieberman como treinadora adjunta, Kathryn Smith foi contratada para idêntico cargo nos Buffalo Bills da NFL (futebol americano), que já tem uma árbitro, Sarah Thomas, desde o ano passado. No basebol e no hóquei no gelo há, igualmente, treinadoras a chegar ao topo.

Por: Luís Óscar

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