Mulheres, cientistas esquecidas

Janeiro 2018 / Ciência

 

Nos livros que nos contam a história da Ciência, as mulheres quase não existem. Mas há quem esteja a corrigir a injustiça.

 

Darwin, Einstein, Stephen Hawking. Todos conhecemos ou já nos cruzámos algum dia com os seus nomes. Homens de ciência, eles tornaram-se famosos, um pouco como estrelas pop. Na ciência também é bem conhecido o nome de Marie Curie – ela conseguiu, por exemplo, a proeza raríssima de ganhar dois prémios Nobel –, mas é exceção. Inúmeras mulheres contribuíram para os avanços científicos em várias áreas do conhecimento. Só que, hoje, ninguém conhece os seus nomes, nem o seu trabalho – em muitos casos o trabalho de uma vida – votadas que foram ao esquecimento.

 

Acabar com anonimato e repor a justiça

Sergio Eril, autor e homem de ciência, especialista em farmácia, publicou no final do ano passado, em Espanha, o livro La Ciencia Oculta («A ciência oculta»). Ali, conta a história de quinze mulheres cientistas, todas elas autoras de descobertas fundamentais, que em muitos casos mudaram o paradigma nas respetivas disciplinas, mas que nunca foram reconhecidas por isso.

Foi o caso, por exemplo, da alemã Maria Kirch (1670-1720), que estudou astronomia, casou com o astrónomo Gottfried Winckelmann e se tornou sua incansável colaboradora nas observações astronómicas e na elaboração de calendários anuais com informações das fases da Lua ou da posição dos planetas. Foi ela a primeira astrónoma a descobrir um cometa, mas após a morte do marido, a Real Academia das Ciências de Berlim não lhe deu autorização para continuar a fazer os calendários astronómicos que já fazia com ele, nos últimos anos sozinha, depois de o marido adoecer.

Muito mais perto de nós, já no século XX, foi a vez de a astrofísica Jocelyn Bell, nascida a 15 de julho de 1943 em Belfast, na Irlanda do Norte, protagonizar uma injustiça histórica comparável. Foi ela que observou pela primeira vez, em 1967, através de um radiotelescópio, os chamados pulsares, umas estranhas estrelas de neutrões que giram a grande velocidade. No entanto, em 1974, na hora do Nobel, foi Antony Hewish, o astrofísico sénior do observatório onde ambos trabalhavam, e outro colega, Martin Ryle, quem ficou com os louros. Foi há quarenta e três anos.

A história de fundo das quinze cientistas incluídas no livro é a mesma. Conhecer as suas histórias contribui para que a injustiça de que elas foram vítimas não se repita.

Por: Maria Filomena Silva

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