Missionário no Japão

Março 2017 / Invencíveis

Aud_Março2017_Pag10

 

O padre Marco Casquilho pertence à Sociedade Missionária da Boa Nova. Missionário no Japão, deixa um desafio: «Sejam como os samurais e ninjas, aperfeiçoem as vossas habilidades.»

 

Está na arquidiocese de Osaca. Como descreveria o Japão a um amigo português?

Quando era criança, recebi do meu pai como presente de aniversário o livro Japão: país dos samurais e robots. Este título define muito bem a Terra do Sol Nascente: um país onde o tradicional e a modernidade, o antigo e o novo convivem lado a lado.

 

Conte-nos como é ser missionário no Japão em 2017.

Trabalho em equipa com um padre vietnamita e uma irmã japonesa em três pequenas paróquias: Sennan, Kinokawa e Misaki. Aqui os cristãos são maioritariamente japoneses, mas também há de Taiwan, Eslováquia, Filipinas, Indonésia, Vietname e, ainda, latino-americanos… Uma vez por mês, celebro em português com cristãos que são, sobretudo, do Brasil. Também dou apoio aos latino-americanos, celebrando a missa em portunhol quando é necessário. Passo a maior parte do tempo com fiéis japoneses, mas procuro dedicar a devida atenção aos nikkei e dekasseki, isto é, migrantes e refugiados que vivem no Japão. Com frequência, visito pessoas detidas pelos Serviços de Imigração.

 

Leu o livro Silêncio de Shusaku Endo, ou viu o filme homónimo de Martin Scorsese?

Sim, li o livro e vi o filme. Achei o romance desafiante. Tem algum fundamento histórico, mas não é uma história da missão no Japão. Um colega meu, o padre Adelino Ascenso, especialista em Shusaku Endo, considera que o livro apresenta um Jesus misericordioso, quase maternal, que sofre silenciosamente com os cristãos perseguidos e os mártires. Quanto ao filme, detestei-o. Está cheio de imprecisões e estereótipos ocidentais… Seriam os camponeses japoneses realmente sujos, ignorantes e crédulos? Seriam os nobres japoneses que perseguiam os cristãos meros sádicos propensos a jogos psicológicos?

 

Como é ser cristão hoje no Japão?

Hoje, ser cristão no Japão significa pertencer a uma minoria: somos apenas um por cento da população. Todavia, não creio que exista uma relação difícil entre a cultura nipónica e Cristianismo. O Evangelho anunciado por S. Francisco Xavier no século xvi propagou-se rapidamente. Em quarenta anos, a Igreja Católica reunia mais de 300 000 fiéis. E não só camponeses, mas também nobres. É certo que houve perseguições. Durante 280 anos, mais de 20 000 cristãos foram martirizados, mas a fé não morreu.

 

Uma mensagem final para os jovens leitores…

A minha primeira missão foi na Guiné-Bissau. Agora, no Japão, com os não crentes, procuro, pelo testemunho de vida cristã, que me perguntem sobre a nossa fé. Precisamos de poucas palavras. As nossas ações falam mais alto!

Por isso, esta é a mensagem que vos deixo: não construam muros. Viajem muito, conheçam outros povos e culturas. Aprendam outros idiomas. Sejam como os samurais e ninjas: dediquem-se de coração a aperfeiçoar as vossas habilidades e técnicas; sejam rigorosos no estudo e trabalho. Amem a Igreja de Cristo, onde as diferenças se unem numa fraternidade universal.

Por: Ana Filipa Oliveira

Deixe uma resposta