Missionário da misericórdia

Abril 2016 / Invencíveis

Foi com um misto de comoção e de sentido de grande responsabilidade que fui enviado pelo Papa Francisco como missionário da misericórdia, juntamente com mais 1070 sacerdotes dos quatro cantos do mundo.

 

A vontade do Papa Francisco é que os missionários da misericórdia sejamos sinal visível da infinita misericórdia de Deus para com cada um dos Seus filhos. Por meio do Sacramento da Reconciliação, sobretudo, será nossa missão sublinhar o infinito amor que Deus tem para com cada um de nós, em contraposição ao «Deus castigador e implacável» que muitas vezes idealizamos e tememos. E não somente ao longo deste ano jubilar, mas por toda a vida. Se soubéssemos o quanto Deus nos ama!

Missionário por “culpa” de Deus

Como frade franciscano capuchinho, sinto que me é confiada uma responsabilidade acrescida, já que muitos dos nossos santos capuchinhos se destacaram pela sua extraordinária misericórdia, principalmente no confessionário. Basta ter presente que os frades capuchinhos São Leopoldo Mandic e São Pio de Pietrelcina foram escolhidos pelo Papa Francisco como modelos a seguir. Eles que foram dois grandes confessores dos inícios do século xx. Estes dois santos passavam horas infindáveis no confessionário, sempre disponíveis… e é belíssimo o exemplo de São Leopoldo quando, acusado de ser demasiado misericordioso, afirmava: «Se no Céu Deus me acusar de ter sido demasiado misericordioso, direi que a culpa é d’Ele, pois foi d’Ele que tirei o exemplo.»

Se hoje sou capuchinho, devo-o, em grande parte, a São Pio de Pietrelcina, cujo exemplo de vida e disponibilidade me tocou profundamente. Ainda que tenha de dividir o ser missionário da misericórdia com os estudos, procuro estar sempre disponível… Estou convencido que a misericórdia passa exatamente por aí, por estar disponível. Aliás, é por meio de pequenos gestos de amor e de compaixão que acabamos por fazer toda a diferença!

É preciso é ser audaz e confiar

A missão da misericórdia é dirigida a todos (sejamos nós sacerdotes, pais de família, jovens estudantes…). Todos somos chamados a usar de misericórdia para com o nosso próximo, para com todos aqueles com quem nos cruzamos diariamente e que, na verdade, precisam do nosso sorriso, do nosso ombro amigo, de uma palavra, de um gesto.

Ao contrário do que eventualmente possa parecer, esta missão não é difícil. Basta pormos a nossa confiança em Deus e deixarmos que Ele ensine o nosso coração. É extraordinário verificar que Deus não costuma escolher os «mais capacitados» para a missão que lhes quer confiar, mas capacita os que são fracos e débeis, a fim de manifestar por meio deles as Suas maravilhas. É Ele quem age e não simplesmente nós. Nós, reconhecendo-nos fracos e pecadores, experimentamos a infinita misericórdia de Deus e, já com o coração repleto do amor e misericórdia de Deus, somos capazes de ser verdadeiros missionários e transmitir o que nos transborda do coração aos que nos rodeiam.

Por: Miguel Grilo

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