Menos lixo e mais reciclagem

Fevereiro 2019 / Ciência

 

Lixo, lixo, lixo! Está por todo o lado, cresce, e avoluma-se – e submerge-nos. Separar, reciclar, depositar nos contentores certos é uma decisão exclusivamente nossa.

 

O lixo invade bosques e prados, aparece nas margens dos rios e no fundo dos lagos, forma ilhas do tamanho de países nos oceanos e acumula-se até nas montanhas mais altas, como os Himalaias. Ainda no ano passado, uma brigada de 30 pessoas trabalhando incansavelmente durante um trimestre inteiro, entre abril e junho, monte acima, monte abaixo, recolheu, só no monte Evereste, o mais alto do mundo, mais de oito toneladas de lixo. Uma pequena montanha de detritos, feita de um pouco de tudo: restos de equipamentos estragados, botijas de oxigénio e recipientes de combustível vazios, partes de tendas rasgadas e destruídas, pedaços de metal, de roupa, calçado, lâmpadas fundidas, papéis, plásticos e até fezes humanas que, lá bem no alto, congelam, em vez de se decomporem, e contribuem para a poluição do lugar.

Também as praias, um pouco por todo o mundo, são uma montra triste desta realidade. Ainda há pouco, as paradisíacas praias do Vietname, mercê das correntes marítimas do momento, foram invadidas por milhões de detritos de todos os tamanhos e feitios, num espetáculo degradante – e perigoso para a saúde das populações locais.

 

Que fazer com tanto lixo?

Como evitar que os resíduos acabem por destruir de forma irreparável vastas extensões da Terra e contaminar todo o habitat que partilhamos com todos os outros seres vivos? Esta é uma questão complexa, como é complexa a civilização humana que os produz, alguns deles com uma durabilidade perigosa de muitas centenas de anos, e até de milénios. Em muitos países, nomeadamente na Europa, começa a emergir a consciência de que é necessário passar da preocupação à ação. E já se fez caminho.

A noção de que é necessário reduzir a produção de resíduos, reutilizar os produtos e objetos e reciclar os que não é possível incluir nas duas anteriores opções – os três RR, lembram-se? – está hoje bem ancorada nas nossas mentes. Mas a verdade é que a sua prática ainda não corresponde à clareza da ideia. É isso o que os números da reciclagem mostram.

Muitas vezes preferimos usar e deitar fora, quando algo se estraga – «vai para o lixo», dizemos sem pensar muito – porque simplesmente é mais fácil, e mais barato. Quanto a reciclar, embora a palavra nos seja bastante familiar, essa ainda não é uma prática da maioria da população portuguesa. Os dados disponíveis mostram que há muito plástico, vidro e cartão que vai simplesmente parar ao lixo e que apenas 38 % desses materiais recicláveis seguem de facto por esse caminho em Portugal. Longe, muito longe ainda, das metas da União Europeia, que pretende que pelo menos 50 % dos resíduos de toda a UE estejam a ser reciclados em 2020.

Há muito para fazer. Mas há também uma grande vantagem: é que isso está nas nossas mãos. Separar o lixo reciclável e depositá-lo nos contentores certos é uma decisão exclusivamente nossa. Podemos fazer muito mais e muito melhor. Então, vamos lá.

Por: Maria Filomena Silva

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