Liga contra o Cancro faz 75 anos

Abril 2016 / Prevenção do Cancro

A Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC) surgiu pela mão de uma senhora, Mécia Mouzinho de Albuquerque. Em 1931, ela reuniu um grupo de amigos para prestarem apoio ao doente oncológico internado no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, que tinha sido inaugurado oito anos antes. O trabalho desse pequeno grupo foi tão importante, que, dez anos depois, e por proposta de um médico, o professor Francisco Gentil, a Liga se constituiu oficialmente como organização não governamental (ONG) considerada de utilidade pública. Corria o ano de 1941.

 

Uma missão contra o cancro

O perfil do doente oncológico nos anos 30 do século passado era diferente do doente oncológico de hoje. Naquela altura, o doente que estava internado no IPO de Lisboa, na maior parte dos casos, estaria em internamento prolongado, muitas vezes até ao fim da sua vida. O apoio prestado era também diferente do que se dá atualmente. Naqueles primeiros anos, tudo quase se resumia à visita ao doente, à aquisição de algum material de apoio aos internamentos, e pouco mais. Começaram nessa altura a ser organizados os primeiros peditórios da Liga para a compra de equipamento e material.

Hoje em dia, o perfil do doente oncológico mudou muito. Na maior parte dos casos, a passagem pelo hospital é temporária e a grande maioria volta para sua casa e continua a sua vida. Se, por um lado, não podemos ainda dizer que o cancro tem cura, por outro, é verdadeiro afirmar que hoje em dia o cancro pode ser considerado a doença crónica deste século. As necessidades de apoio são diferentes e o apoio que a Liga presta chega também à família do doente oncológico e não apenas ao próprio doente.

Hoje em dia o cancro trata-se de muitas maneiras e em muitos hospitais e a Liga saltou os muros do IPO de Lisboa e dá esse apoio não só nos IPO de Lisboa, Porto e Coimbra, como em alguns hospitais distritais onde tem representação. Também oferece apoio através dos seus grupos e gabinetes de apoio espalhados pelo País, continente, Açores e Madeira.

O Serviço da Flor

Um dos serviços da Liga é o Serviço da Flor. Os voluntários visitam os doentes internados no Instituto e oferecem-lhes um cartão com a flor símbolo do seu voluntariado. Num desses cartões está escrita uma frase que define a essência do voluntariado da Liga: «Um amigo pediu-me para ir tratar da dor dele. Guardei a minha própria dor no bolso e fui!»

É isto a Liga contra o Cancro

A LPCC é, hoje, uma instituição com mais de 22 mil voluntários. Destes, cerca de 1500 são voluntários hospitalares. No IPO de Lisboa, onde a sua história começou, há cerca de 500 voluntários. Estão divididos em 14 serviços de voluntariado. Trabalham por turnos, que começam às 08h30 e acabam, muitas vezes, pelas 22h00. Presta-se um voluntariado muito profissionalizado, extremamente organizado. Apoia-se quem realmente precisa de apoio, o doente, sem atrapalhar o funcionamento clínico dos profissionais.

Por: Rita Teles Branco

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