Janeiro: mês dum ano novo

Janeiro 2019 / Arca das Palavras

 

Eis-nos de novo em janeiro, que, conforme se escreve algures nesta edição da Audácia, é o mês que olha para o passado e para o futuro.

Janeiro é o mês que os Romanos consagraram ao deus Jano (rei lendário divinizado), que era representado com uma cabeça com duas faces, porque exercia poder sobre o céu e sobre a terra. Janus bifrons, Jano bifronte. Era, dos milhentos deuses romanos – os Romanos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses –, o que presidia ao começo de tudo. Sendo assim, consagrou-se-lhe o primeiro mês do ano, janeiro, que em latim se dizia januarius. Em latim, ianus ou janus significava «passagem», e que é uma passagem senão o princípio de alguma coisa? Por isso, Jano também era o deus das portas, olhando simultaneamente para dentro e para fora das casas.

A propósito, sabiam que a nossa janela provém do diminutivo latino januella, diminutivo ele mesmo de janua, «porta de entrada, acesso»?

Algo mais rebuscado em que o nome deste deus está semioculto: em teratologia, que é a especialidade médica que cuida das monstruosidades e malformações orgânicas, dá-se o nome de janicípite ou janicéfalo (cabeça de Jano) ao monstro de duas cabeças.

Fiquemos com esta ideia mais terra a terra e sensata: janeiro, como primeiro mês do ano, é a altura do ano em que, olhando para trás, pensamos no que está para a frente, no futuro mais imediato, e fazemos muitas resoluções, nem sempre cumpridas. Que este ano seja diferente, que em 2019 todas as nossas resoluções altruístas sejam cumpridas, são os meus votos.

Por: Helder Guégués

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