Inventor português medalhado

Junho 2014 / Ciência

Fernando Afonso é «inventor desde os 4 anos», como diz de si próprio, e sempre que pode lança-se ao trabalho para criar novas maquinetas e dispositivos engenhosos que podem melhorar a vida e o dia a dia de bebés recém-nascidos ou de pessoas doentes. Não anda à procura de prémios, confessa, mas ganhá-los, como há pouco aconteceu na Suíça, também sabe bem.

O inventor português participou em abril no Salão Internacional de Invenções de Genebra, a mais prestigiada feira do género do mundo, que este ano foi mais uma vez renhida: ao todo estiveram ali em competição 1000 invenções de 790 participantes, oriundos de 45 países, incluindo Portugal.

O objetivo de Fernando Afonso, que pela primeira vez foi à famosa mostra de Genebra, não era ganhar prémios – nem estava à espera disso, até por ser a sua estreia naquele ambiente de exuberante criatividade. O que pretendia, sobretudo, era encontrar «possíveis investidores com potencial de mercado, capazes de colocar os inventos no mercado mundial». Mas o júri ficou tão agradado com os três inventos que ele levou à Suíça, que acabou por atribuir uma medalha a cada um deles. E, assim, Fernando Afonso fez um pódio completo, com uma medalha de ouro, outra de prata e mais uma de bronze.

A primeira, atribuída na categoria médica, distinguiu a sua criação Neo sweet light, um dispositivo para o tratamento da icterícia em recém-nascidos. O seu Drop Counter, para monitorizar as gotas dos dispensadores de soro por gravidade, recebeu uma medalha de prata na mesma categoria e, finalmente, a sua terceira invenção, que ele batizou como Dermbee e que é um original guarda-sol transparente com proteção solar, conquistou um bronze na categoria de saúde e paramédica.

Nas invenções de Fernando Afonso, o único dos três participantes portugueses que foi distinguido este ano no Salão de Genebra, o júri realçou «a sua utilidade pública emergente» e considerou as ideias «surpreendentes» e de «impacto inesperado».

Para o engenheiro português, este foi também um saldo inesperado e, sobretudo, gratificante. «O reconhecimento por parte de um júri internacional é sempre reconfortante e encorajador para novos desafios. Fiquei muito satisfeito pelas medalhas e, sobretudo, pela possibilidade de representar Portugal», confessou.

Um dia, estarão ao nosso serviço

Agora, o passo seguinte é disponibilizar os inventos no mercado, e Fernando Afonso está confiante. Os três dispositivos que levou à Suíça «representam mais de quatro anos de investigação e desenvolvimento», e a realidade é o que é. «Apesar de o principal interesse ser a utilidade pública, é absolutamente necessário o reconhecimento dos projetos do ponto de vista financeiro», diz. Sem isso, também não será possível usufruir do que têm para dar. O mais certo é que um dia destes estejam por aí, como acontece hoje com muitas outras invenções, que já fazem parte das nossas vidas, como as braçadeiras que as crianças usam nas piscinas, as almofadas para dormir nos aviões ou os sistemas de legendagem da ópera. Todas elas saíram do Salão de Genebra.

Por: Maria Filomena Silva

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